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Musikki: o som que ouvimos na Net e tudo o que está à volta dele

Três jovens de Aveiro criaram uma plataforma que atualiza conteúdos e notícias sobre bandas, artistas, e respetivas obras. Hoje, há 150 programadores a trabalhar com a nova plataforma – alguns deles trabalham para nomes sonantes da indústria discográfica.  

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Hugo Séneca

Londres. Na indústria da música, está lá tudo. Os grandes estúdios, os principais artistas, as novas modas, as maiores editoras. E desde 2013 que lá se encontra a Musikki também. Para a startup que quer fazer na música o que a plataforma IMDB fez pelo cinema, nunca houve dúvidas de que a capital britânica era um destino incontornável. E por isso, os últimos dois anos de João Afonso têm sido em permanente romaria: duas ou três semanas na capital inglesa, onde é o único membro da equipa, seguidos de uma ou duas semanas nos escritórios de Aveiro, onde se encontram os restantes sete membros da startup que têm desenvolvido uma plataforma que extrai e atualiza automaticamente informação histórica ou recente sobre os diferentes músicos, bandas e obras.

A presença nas Terras de Sua Majestade tem sido proveitosa – e a própria embaixada britânica já retribuiu a expansão da jovem empresa com atribuição de um prémio UKTI: «Já temos muitos nomes sonantes da indústria a testar a nossa plataforma. Apenas não os podemos dizer agora, devido a acordos de confidencialidade», explica João Afonso (a meio na foto).

João Afonso, começou a trabalhar na constituição da Musikki em 2010, com Juliana Teixeira e Pedro Almeida. Só em 2012 a empresa teve direito a títulos de jornal, ao ganhar o prémio de 200 mil euros na competição Building Global Innovators. Nos cinco anos que passaram entre a ideia inicial e o presente a indústria registou mudanças substanciais. O que também pode trazer implicações no posicionamento do futuro negócio: «Há uns anos, o nosso cliente típico seria uma Amazon. Hoje, é a Amazon e os vários streamers e plataformas que vendem ou transmitem música», descreve o CEO da Musikki.

Depois de uma época de euforia, o download começa a revelar indícios de perder o estatuto de rei incontestável na indústria musical. As rádios virtuais, as plataformas que reproduzem música a pedido, ou os sites de transmitem concertos em diretos abriram novas tendências de consumo. «A Internet está a acabar com os modelos de negócio mais antigos, mas também abre novas oportunidades. Os artistas e os melómanos saem beneficiados. Há mais oferta e há também mais concertos, porque há mais pessoas a ouvir», acrescenta João Afonso.

Todas as empresas têm um momento certo. E o momento certo da Musikki pode muito bem chegar à boleia da crescente concorrência entre rádio virtuais, streamers e plataformas de concertos. Uma vez integrada num serviço de distribuição de música, a plataforma da Musikki pretende exponenciar as relações simbióticas entre os diversos intervenientes: o consumidor poderá saber das últimas dos seus ídolos musicais ou descobrir em poucos cliques informação sobre uma nova banda; as revistas, repositórios de dados e outros produtores de conteúdos podem captar mais audiências; e as empresas que distribuem música ganham um valor acrescentado. No final, há expectativa de que a informação atualizada funcione como um trunfo comercial.

Hoje, a Musikki conta parcerias com 15 fontes de informação. João Afonso acredita que, em breve, conseguirá alargar as parcerias a mais de 50 produtores de conteúdos. A este número juntam-se 26 mil downloads da app para iOS (no futuro haverá uma versão Android), e os mais de 150 programadores que já começaram a testar a interface da Musikki, que foi estreada em março de 2015 no festival de música e arte South by Southwest, no Texas. Desde então, a Musikki passou a ter um alvo bem definido: «Queremos ser os fornecedores de serviços como o do Deezer, do Shazam ou da Apple. Queremos fornecer-lhes informação e ratings sobre artistas em tempo real. Passámos a concentrar-nos no segmento empresarial, porque acreditamos que pode ser mais fácil alavancar o negócio a partir desse segmento. O segmento de consumo exige muito investimento», acrescenta o responsável da Musikki.

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