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Cidadã francesa garante pensão de invalidez devido a alergia às radiações de gadgets

O Tribunal de Toulouse ordenou o pagamento de 800 euros mensais a um mulher de 39 anos que se refugiou num celeiro isolado nas montanhas para evitar os sintomas associados à Hipersensibilidade Eletromagnética.

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Hugo Séneca

Um tribunal de Toulouse, França, ordenou o pagamento de uma pensão de 800 euros mensais a uma cidadã de 39 anos que se queixou de sintomas associados à alergia às radiações eletromagnéticas emitidas por telemóveis, routers, tablets, televisores e muitos outros gadgets. A pensão de invalidez terá uma duração de três anos.

Marine Richard, hoje a viver num celeiro sem eletricidade nas montanhas do Sudoeste francês, classificou o desfecho do caso que iniciou junto da justiça como um «corte com o passado» no que toca ao reconhecimento dos direitos das pessoas afetadas pela denominada Hipersensibilidade Eletromagnética (EHS).

Os sintomas da EHS já se encontram devidamente identificados pela Organização Mundial de Saúde (OMS): dores de cabeça persistentes, nariz a sangrar, dores de ouvidos, insónias, náuseas, fadiga e até palpitações e formigueiros.

De acordo com a BBC, o Tribunal de Toulouse não menciona a EHS como causa do mal-estar de Marine Richard, apesar de ter ordenado o pagamento da pensão de invalidez à cidadã francesa de 39 anos de idade.

O caso não é inédito no panorama internacional: nos EUA e na Suécia, a EHS também já foi reconhecida como uma doença; no Reino Unido são vários os casos de queixosos que decidem recorrer às associações dedicadas ao tema.

No outro lado do Atlântico, há mesmo registo de um caso iniciado pelos pais de uma criança que aparentava os sintomas de EHS e que decidiram processar a escola da criança. No entender dos pais da criança de 12 anos, a condição física da criança ter-se-á deteriorado depois da instalação de uma nova rede de Wi-Fi na escola.

A Isotrope, empresa que instalou a rede no recinto escolar, procedeu à análise das radiações eletromagnéticas e confirmou que as mesmas não excediam uma fração diminuta dos limites máximos permitidos pela legislação. O que tanto poderá ser usado pelos detratores das radiações eletromagnéticas para alegar que se trata de mais uma prova de que a EHS existe; mas que também poderá levar os mais céticos a desvalorizar o caso e a associar a outras causas os sintomas registados na criança.

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