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«Espero que o 5G não apareça antes de 2020», diz líder da Nos

Se um dia encontrar um líder da Nos, da Vodafone ou da PT, evite falar do fim do roaming. E também não insista muito nas questões relacionadas com os OTT. No caso do 5G espere mais cinco anos para tudo se tornar mais fácil.

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Hugo Séneca

O ano de 2020 ainda parece longínquo, mas Miguel Almeida, líder da Nos, já tem uma ideia nítida sobre a data: «Espero que o 5G não apareça antes de 2020», proferiu durante a participação na Conferência “Regulação no Novo Ecossistema Digital». O líder da Nos nada tem contra a evolução tecnológica, apenas duvida que seja necessário acelerá-la: «Tenho sérias dúvidas de que haja necessidade (de lançar a 5G antes de 2020). E não havendo essa necessidade, seremos empurrados para o 5G pelos nossos queridos parceiros de negócio que são os fornecedores de tecnologias ou pelo Estado que vê nestas situações uma oportunidade de fazer dinheiro (com as venda de licenças)».

«Tenho sérias dúvidas de que os operadores, entre o que pagaram pelas licenças e pelas infraestruturas do 4G, consigam ter rentabilidade com o 5G se aparecer antes de 2020», acrescentou ainda o responsável da Nos.

Ainda que num plano diferente, Mário Vaz, líder da Vodafone Portugal, também confirmou que a evolução tecnológica nem sempre obedece à lógica das… tecnologias. Quando os operadores ainda estavam a implementar o 3G, o Estado avançou para o 4G, e do 4G passou-se para a convergência e para as redes de fibra. Hoje, fala-se de 5G. Mas o 4G ainda tem muito por onde crescer. O que leva Mário Vaz a proferir a defesa do «co-investimento» e da «partilha da rede», até para garantir que a infraestrutura chega a zonas remotas e se combate a infoexclusão.

«O investimento na infraestrutuira não pode recair só nos operadores. Quando comparamos a rentabilidade do investimento efetuado pelos operadores na Europa, com o que acontece nos EUA, concluímos que as telecomunicações já não são o que eram», referiu o responsável da Vodafone.

Mas este não foi o único ponto que gerou concordância entre os líderes da Vodafone e da Nos: ambos consideram necessária nova regulação que aplique a serviços como o Skype ou o Whatsapp requisitos técnicos e legais similares aos que são aplicados aos operadores. Segundo Miguel Almeida, há uma «assimetria total» entre os operadores e os denominados OTT, que não estão «sujeitos a impostos, regulações, e obrigações» como estão os operadores de telecomunicações convencionais.

Coube a João Couto, diretor-geral da Microsoft Portugal, fazer a defesa dos OTT (a Microsoft tem serviços de e-mail, VoiP, armazenamento na cloud, entre outros serviços que correm sobre as redes de telecomunicações). E como prova do compromisso com as boas práticas, recordou a recusa da produtora do Windows em fornecer o acesso aos e-mails de um cliente que se encontram alojados na Irlanda, apesar do diferendo que está a decorrer na Justiça dos EUA.

Paulo Neves, recém-empossado CEO da PT, também aproveitou a participação na conferência da Anacom para fazer algumas revelações. Além de alinhar com Mário Vaz e Miguel Almeida no discurso anti--fim-do-roaming, fez saber que a operadora agora detida pela Altice não desiste de inovar – e terá na PT Inovação o braço tecnológico que deverá distribuir inovação pelas sucursais que a companhia tem em vários países.

Mais auspiciosa é a declaração sobre o Centro de Dados da Covilhã, inaugurado pela antiga gestão de Zeinal Bava com pompa circunstância, mas que se tem mantido longe dos holofotes. Para Paulo Neves, «o Centro de Dados da Covilhã é essencial» para a evolução da PT e de outras operadoras do grupo altice que poderão tirar partido da capacidade da infraestrutura instalada na cidade serrana.

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