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Líder da Altice admite comprar órgãos de comunicação portugueses

No dia da estreia dos Altice Labs, Patrick Drahi fez saber que os investimentos em Portugal podem prosseguir nos tempos mais próximos. O grupo que detém a PT conta investir 500 milhões de euros por ano.

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Hugo Séneca, em Aveiro

Patrick Drahi, chairman da Altice, Armando Pereira, chairman da PT Portugal, Paulo Neves, CEO da PT Portugal na inauguração dos Altice Labs

Patrick Drahi, chairman da Altice, Armando Pereira, chairman da PT Portugal, Paulo Neves, CEO da PT Portugal na inauguração dos Altice Labs

Patrick Drahi veio a Aveiro estrear os Altice Labs, e pelo meio deixou uma antevisão de potenciais investimentos: «costumamos investir em (empresas de) média nos países onde somos líderes. E em Portugal, somos líderes». O chairman da Altice, que comprou a PT no verão de 2015, confirmou assim que o próximo investimento do grupo, em Portugal, deverá passar pela aquisição de empresas de produção conteúdos, órgãos de comunicação ou afins.

O chairman da Altice admitiu não ter presentes na memória os custos dos Altice Labs, mas avançou com um número que pode dar uma ideia do que o mercado português representa para a Altice: «Em Portugal, prevemos investir cerca de 500 milhões de euros por ano».

Além da possível aquisição de empresas de média hoje aventada por Patrick Drahi, a PT Portugal fez saber ontem que vai manter a equipa do Sapo - mas a funcionar dentro da Altice Labs.

Antes de revelar aos jornalistas a intenção de investir na produção de conteúdos, o homem que disputa os primeiros lugares dos mais ricos de frança subiu ao palanque para fazer um discurso oficial e lembrar que Armando Pereira não é o único homem forte da Altice com raízes em Portugal: «O Armando vem do norte de Portugal e uma parte da minha família vem de Lisboa e de Faro. Muitos anos mais tarde, depois de termos atravessado Espanha e o Norte de África, encontrámo-nos em Paris». Os Altice Labs ficaram assim inaugurados – no mesmo local em que durante 65 anos operaram a PT Inovação, e as entidades que a precederam com outros nomes.

Aos jornalistas, Drahi não deixou de enaltecer o papel estratégico que os laboratórios portugueses vão ter para um grupo que investe cinco mil milhões de euros por ano: «é muito importante que o investimento que fazemos seja muito bem pensado, e que seja à prova de futuro. É a primeira vez que temos um centro de inovação no nosso grupo».

Antes, durante o discurso oficial, o chairman da Altice já havia dado uma ideia da missão que a Altice Labs, enquanto braço tecnológico que tem a coordenação em Aveiro,mas conta ainda com sucursais em mais quatro países, deverá assumir no grupo: «A Altice Labs é uma rede dentro do nosso grupo, uma rede da inteligência. Cada Altice Labs vai especializar-se em fornecer soluções inovadoras aos nossos clientes em todo o mundo e aos nossos colaboradores. Cada Altice Labs será o coração de um ecossistema local envolvendo universidades, estudantes, investigadores, start-ups».

Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia, também não se escusou à circunstância e marcou presença no momento de passagem de PT Inovação para Altice Labs. E recordou que, afinal, a propalada alienação da «joia da coroa» não se confirmou. O governante reiterou também que os investidores estrangeiros confiam no País – e que essa confiança não se limita aos indicadores financeiros e também se estende à «inovação».

Paulo Neves, o CEO da PT Portugal, também subiu ao palanque para discursar e honrar o passado que vem dos tempos da PT Inovação, sem deixar de apontar a nova realidade dos Altice Labs, enquanto «organização que estará na vanguarda do desenvolvimento e da investigação tecnológica e que exportará soluções e produtos para 35 países em todo o mundo que beneficiarão mais de 200 milhões de pessoas».

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