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O que é que o MyMaga tem? Jorge Sá Couto explica

Com o MyMaga, a JP-IK quer abrir as portas dos mercados mais sofisticados. Portugal, Espanha França e Reino Unido são os destinos de um computador desenhado para a sala de aula, que também tem de ser competitivo nas prateleiras das lojas

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Hugo Séneca

Com o MyMaga, a JP - Inspiring Knowledge (JP-IK) aposta forte num computador para o setor da educação do mercado europeu. Numa entrevista para a Exame Informática, Jorge Sá Couto, o chairman da maior fabricante de computadores portuguesa, explica como é que a marca MyMaga pode representar um novo capítulo na história da empresa nortenha, que começou por conquistar o segmento da educação com os portáteis Magalhães.

O que leva a JP-IK a lançar o MyMaga?

Temos trabalhado em grandes projetos de alguns países e vimos que estava a ser feita muita coisa nos mercados emergentes, mas os mercados maduros estavam mais estáticos. Observando principalmente o mercado europeu, verificámos que havia um potencial de negócio para termos uma marca dedicada às comunidades educativas e à família. Quando falamos em tecnologias, falamos apenas numa pequena parte daquilo que é o MyMaga. Queremos instalar soluções educativas nas escolas… obviamente com tecnologia. O que exige ter os dispositivos adequados no local certo, para que os pais possam comprar. O mercado europeu funciona mais na lógica de buy your own device. Mas esse dispositivo tem de estar preparado para ser usado em sala de aula. Atuamos junto das comunidades educativas para que possam tirar partido das ferramentas que criamos. Por um lado estamos a trabalhar com empresas que estão focadas na educação e que podem fazer formação a professores de acordo com o nosso método pedagógico. Por outro lado, temos os dispositivos já preparados com todo o software que é necessário para uma sala de aula.

Como é que a JP-IK vai entrar no mercado europeu? Vai por sua conta e risco ou assinou parcerias com governos?

Estamos a construir um canal de empresas da área da educação. Damos formação a essas empresas para que possam, mais tarde, dar formação às escolas privadas. Não estamos a falar do setor público, mas de empresas privadas que podem ter o nosso know how para implementar soluções como nós já implementámos à larga escala. O nosso trabalho é criar um canal que promova as nossas soluções educativas no mercado europeu. Estaremos presentes (com a MyMaga) em Portugal, Espanha, França e Reino Unido, mas temos a ambição de expandir para outros países, depois de conseguirmos estar em determinados países que consideramos críticos.

As soluções desenvolvidas para a Europa são diferentes daquelas que são vendidas na América Latina?

São soluções diferentes porque os públicos alvos têm necessidades diferentes. As necessidades de países emergentes e países maduros são muito distintas. Enquanto muitos países emergentes ainda estão numa fase de levar os miúdos à escola e de motivação dos professores, aqui (na Europa) é completamente diferente. Os próprios dispositivos são diferentes…

Será que há uma diferença de qualidade entre os produtos vendidos nos dois mercados?

Não iria tanto pela questão da qualidade, mas antes pelas diferentes necessidades. Nos mercados emergentes, há uma questão de budget. Obviamente, estes mercados não têm tanto dinheiro para despender como um mercado maduro. A segunda questão tem a ver com os requisitos. A educação dos mercados emergentes está ainda num estágio diferente da educação nos mercados maduros. Um exemplo: nos mercados maduros, usamos uma pen interativa, porque o próprio dispositivo permite tirar notas – mas esse não é um requisito obrigatório num mercado emergente, porque aumenta o custo da solução. Num mercado maduro, o software também pode ser diferente daquele que é usado num mercado emergente. Como estamos em estágios diferentes, a solução tem de ser também diferente. Já temos muita presença nos mercados emergentes. Temos de provar que também conseguimos trabalhar em mercados maduros e que temos o conhecimento para trabalhar em educação na Europa, EUA e Canadá.

Mas é mesmo preciso comprar um portátil adaptado para a educação? Não basta ter um portátil ou um tablet iguais aos outros?

Quando falamos de alunos dos primeiros anos, a resistência (dos computadores) é vital! Além disso, incluímos segurança no que toca aos conteúdos, e também recursos pedagógicos, controlo parental, e software de gestão da sala de aula. Se é possível usar um computador normal em sala de aula? Sim, é possível… só que temos visto que, nesses casos, se torna apenas em mais um dispositivo de consulta, que não muda nada em termos pedagógicos. Tem havido muitos insucessos de outras empresas que pensam que o negócio da educação passa pela venda de equipamentos para as salas de aula, mas para nós, a venda de equipamentos é apenas uma das peças (do conjunto) e acaba por não funcionar a médio ou longo prazos.

E quem são os vossos parceiros no MyMaga?

A Intel é o nosso parceiro de raiz. No mercado europeu, trabalhamos muito com a Microsoft, que tem muitas soluções para mercados maduros, enquanto a Google tem mais soluções para mercados emergentes. Temos os nossos parceiros de distribuição, como a Tech Data, e temos ainda os parceiros locais, que são as empresas especializadas nesta área, a quem ensinamos qual o modelo pedagógico que deve ser implementado e lhes damos a formação que deve ser dada aos professores.

A Google não quis entrar no MyMaga?

Também temos uma solução com a Google… mas também depende muito dos objetivos que os professores, as escolas ou os ministérios querem atingir. Vemos a Google como sendo útil para algumas soluções; para o mercado europeu vemos com melhores olhos as soluções da Microsoft, que são mais completas e maduras.

Como é que é formulado o preço de um computador para crianças?

Obviamente, que os preços podem ser diferentes uma vez que cada país tem as suas taxas. Mas o pressuposto de base é muito simples: estes equipamentos, apesar de diferenciadores, têm de ser muito competitivos, porque também vão estar nas prateleiras das lojas, vão ter de estar num ambiente de consumo normal, e se não forem competitivos não se conseguem vender. E por isso tentamos seguir sempre esse pressuposto base: os nossos equipamentos têm de ter sempre preços competitivos, mesmo sendo diferenciadores.

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