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Tsunami: a morte do desktop foi manifestamente exagerada

Num mundo cada vez mais móvel, há uma marca portuguesa que aposta as fichas (quase) todas na venda de desktops. Porquê? Porque o cliente quer mais máquinas à medida e menos serviços pós-venda, recordam os responsáveis da JP-IK.

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Hugo Séneca

Carlos Duarte, diretor do Negócio de Distribuição da JP-IK

Carlos Duarte, diretor do Negócio de Distribuição da JP-IK

Podia ter sido um regresso – mas a marca Tsunami nunca desapareceu. A quem fala de uma segunda vida daquela que já foi uma das marcas de computadores mais vendidas em Portugal, os líderes da JP – Inspiring Knowledge (JP-IK) respondem: é um rebranding, que pretende tornar a marca mais moderna. E que por sinal tem como principal trunfo estratégico os desktops. Os desktops já não vendem? Cá está mais uma ideia feita do setor das tecnologias, que a JP-IK está apostada em demonstrar que peca por manifesto exagero: «o número de vendas de desktops em Portugal tem sido estável», recorda Carlos Duarte, diretor do Negócio de Distribuição da JP-IK.

Hoje, o ranking dos fabricantes de computadores é bem diferente daquele que dominou o final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Carlos Duarte não esconde a realidade: a marca Tsunami, que chegou a lutar pelo top de vendas com as maiores marcas internacionais durante as duas décadas anteriores, inicia o processo de rebranding posicionada nos lugares do fundo da tabela. Poderá a já histórica marca regressar aos tempos de glória? Carlos Duarte dá a receita: «O mercado precisa de um fabricante local, que esteja próximo dos clientes. Os fabricantes locais ainda têm um peso importante».

A tecnologia é um dos principais da globalização… mas por algum motivo, a localização continua a ser um fator a ter em conta nos desktops. Precisamente porque nos desktops a capacidade de adaptação do produto ao cliente é um fator diferenciador. O cliente quer mais RAM e maior capacidade de armazenamento, e prefere o processador x em vez do processador y? No desktop, esta capacidade de adaptação faz parte do dia-a-dia. Nos portáteis, a configuração à medida do cliente ainda assume contornos de miragem. Resultado: a localização pode ser um trunfo comercial nos desktops. E uma marca que tenha uma fábrica em solo nacional (a da JP-IK/Tsunami está em Perafita, Matosinhos) ganha a uma agilidade que nem sempre está ao alcance das marcas estrangeiras.

«Queremos dar valor acrescentado aos clientes que querem encomendar desktops à medida. A Tsunami está em condições de fazer as alterações e adaptações (de componentes solicitadas pelos consumidores) que as marcas estrangeiras não conseguem fazer. Estamos mais próximos dos clientes; e somos mais rápidos porque temos uma fábrica no nosso País», explica Carlos Duarte.

A marca Tsunami regressa ao mercado com desktops convencionais, mini-desktops e um tablet. Empresas e entusiastas dos videojogos são os principais destinatários destes novos produtos. O roteiro previsto aquando do rebranding não descarta o alargamento do portfolio com a introdução de novas famílias de produtos que poderão chegar a outros destinatários. «Ainda não temos um portátil que tenha valor acrescentado, mas quando encontrarmos uma solução que permita acrescentar esse valor a Tsunami terá um portátil», prevê Carlos Duarte.

A Tsunami está de cara lavada, mas não vale a pena procurar os produtos da marca nas grandes superfícies comerciais: apenas os parceiros oficiais poderão revender produtos da marca; ainda durante este ano, deverão ser iniciadas as vendas na Internet. Carlos Duarte está convicto de que, depois de vendidos, os desktops também apresentam vantagens que os portáteis nem conseguem superar: «Além da capacidade de computação, os desktops têm uma menor probabilidade de necessitarem de serviços de pós venda que os portáteis. Nos portáteis há maior risco de avaria pelo facto de ser um dispositivo que se usa em mobilidade. E por isso já vemos algumas empresas que querem regressar ao desktop».

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