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Números de identidade e moradas de 49 milhões de turcos na Internet

Os dados de metade da população turca foram expostos por hackers através de um servidor baseado na Roménia. Os dados do primeiro-ministro e presidente turcos constam na fuga de informação.

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Hugo Séneca

Recep Tayyip Erdoğan, presidente da Turquia, é uma das 49 milhões de vítimas da fuga de informação

Recep Tayyip Erdoğan, presidente da Turquia, é uma das 49 milhões de vítimas da fuga de informação

Uma base de dados com mais de 49 milhões de números de identidade acaba de ser disseminada na Internet. A fuga de informação, que envolve os dados de metade da população atual da Turquia, foi levada a cabo com o recurso a um servidor na Roménia e deixa um “recado” de contornos políticos para o governo turco: «Quem diria que nas traseiras das ideologias, do amiguismo, e do extremismo religioso em crescendo na Turquia, surgiu uma infraestrutura tecnicamente vulnerável que está a cair aos pedaços».

Ainda não há a confirmação oficial de que os dados que constam na base de dados são legítimos, mas os média estão a tomar como credível esta fuga que não só revela nomes e números de identidade, mas também moradas, datas de nascimento e nomes de pais dos titulares dos números de identidade. O potencial roubo de indentidades é agora apontado como uma das ameaças que pairam sobre cerca de metade da população.

O The Guardian revela que entre os visados por esta fuga de informação encontra-se Recep Tayyip Erdoğan, atual presidente turco, Ahmet Davutoğlu, primeiro-ministro, e ainda Abdullah Gül, antecessor de Erdoğan na presidência da república.

A mensagem dos alegados autores da fuga de informação roça a ironia, quando tenta retificar potenciais falhas técnicas das autoridades turcas: «Bit Shifting (mudança da localização de números binários) não é encriptação»; «têm de indexar a vossa base de dados. Tivemos de trabalhar para organizar a vossa base de dados desarrumada»; «criar uma password codificada na interface do utilizador raramente acrescenta alguma melhoria em termos de segurança».

A fuga de informação não foi assinada, mas os supostos autores deixam algumas frases que podem servir para identificar – ou mascarar - a origem dos ataques. Numa dessas frases, os hackers usam palavras que podem ser encaradas como sendo proferidas por “não turcos” e exortam os turcos a tomarem medidas contra Erdoğan. Noutra das frases, os mesmos hackers dão a entender que são americanos e dizem que «Donald Trump sabe ainda menos que Erdoğan, no que toca à governação de um país». Os especialistas que acreditam que os hackers, ao assumirem implicitamente uma suposta cidadania americana, apenas estão a tentar criar uma pista falsa, para disfarçar a autoria da fuga de informação.

A fuga de informação da base de dados de identidades dos cidadãos turcos já não é totalmente novidade: em 2013, começou a circular a primeira notícia que dava conta de que um repositório com os dados de mais de 53 milhões de cidadãos teria sido desviada por hackers russos. Dificilmente, os turcos deixarão de associar a fuga de dados mais recente com aquela que teve lugar há três anos: com o início da guerra civil na Síria, Turquia e Rússia iniciaram uma crise diplomática, que levaria mesmo ao abate de um caça russo que, alegadamente, havia sobrevoado o espaço aéreo turco.

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