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Em Braga, já há quem use realidade virtual para terapias de AVC

Na Clínica Cérebro, em Braga, começou a ser testada uma nova ferramenta que promete resultados mais eficazes nas terapias a sequelas de Acidentes Vasculares Cerebrais.

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Hugo Séneca

Observação, movimento e entusiasmo. E no final, repetir tudo, como se a realidade conseguisse ser tão boa quanto as imagens do ecrã. Na Clínica Cérebro, em Braga, o sistema RGS tem vindo a ser testado com voluntários. Todos eles executam os exercícios de olhos postos no ecrã, em vez de olharem para os braços que devem executar movimentos iguais. Esta semana, deverá começar o uso clínico. O objetivo está definido: devolver os movimentos dos membros superiores a doentes de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) através de exercícios que mimetizam a realidade virtual. «Esta solução já foi usada em dois hospitais de Barcelona e revela ter resultados muito melhores que a terapia ocupacional, que incide especialmente em sequências de exercícios relacionados com a força ou a precisão», refere Jorge Alves, diretor do Centro Cérebro.

O sistema RGS (de Rehabilitation Gaming System) foi desenvolvido pela Eodyne, uma spinoff da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona. O sistema já foi usado em 500 pacientes de AVC, refere a página da empresa catalã..

Antes de começar a terapia, o paciente é equipado com braceletes que funcionam como marcadores, que ajudam a aplicação, através das imagens captadas por câmaras ligadas ao computador, a acompanhar os gestos executados em tempo real. Uma vez colocados os marcadores, o paciente tem de fixar a atenção no ecrã – e executar os diferentes movimentos de braços e/ou mãos que são sugeridos. É possível que o gesto executado pelo paciente não tenha perfeição do gesto que aparece no ecrã, mas esse diferencial acaba por ser suplantado pelo entusiasmo de cada pessoa que se submete à terapia, recorda Jorge Alves.

A motivação pode potenciar o empenho dos pacientes, mas na base desta ferramenta terapêutica está a denominada Teoria dos Neurónios Espelho: «O paciente ao observar um determinado gesto de outra pessoa acaba por ativar algumas das partes do cérebro que costumam ser usadas quando é ele que tem de executar o gesto», informa Jorge Alves.

O médico da Clínica Cérebro admite que, «no mínimo dos mínimos, se possam fazer duas sessões de terapia por semana», mas recorda que «o protocolo recomendado prevê três a cinco sessões por semana, durante dois meses». «Há o fator entusiasmo, mas os principais fatores de sucesso desta ferramenta são a repetição, o treino adaptativo e a observação», conclui o médico nortenho.

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