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“Os utilizadores procuram melhores telefones e não telefones mais baratos”

Aproveitámos a apresentação do Mate 9 em Munique para entrevistar Walter Ji, presidente do Consumer Business Group da Huawei, que refere que a qualidade está a ganhar primazia em relação ao preço na lista de prioridades de quem troca de smartphone.

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Paulo Matos

Paulo Matos

Jornalista

Terceiro maior fabricante mundial de smartphones, a Huawei continua a ganhar terreno aos dois concorrentes da frente: Samsung e Apple. Com o lançamento do Mate 9, a marca chinesa aproveita o colapso do Note 7 e assume-se como o alvo a abater no segmento dos phablets Android. Aproveitámos a presença em Munique para entrevistar em exclusivo Walter Ji, presidente do Consumer Business Group do Huawei Western Group.

Exame Informática: Os últimos dados da IDC sobre o 3º trimestre do mercado de smartphones colocam a Huawei como terceiro maior fabricante mundial, mas cada vez mais próximo da Apple: 9,3% versus 12,5% de quota de mercado. Pensa que conseguirão manter este ritmo de crescimento e ultrapassar a Apple dentro de dois anos no mercado europeu?

Walter Ji: Temos a felicidade de dizer que a nossa quota de mercado tem vindo a crescer. Por exemplo, de acordo com a GfK, a Huawei já ultrapassa os 11% no mercado europeu. Julgamos que é importante ter em conta alguns fatores para apresentar o melhor produto ao consumidor neste mercado europeu. O primeiro é a qualidade, que sempre foi a nossa prioridade. O que falámos durante a apresentação do Mate 9 foi, por exemplo, o cuidado com o SuperCharge, que tem cinco níveis de proteção [no carregamento da bateria] para garantir a segurança. Isto significa que controlamos a voltagem, corrente e temperatura em tempo real, o que permite que não hajam riscos. O segundo é a inovação, de que é exemplo a colaboração com a Leica para as câmaras. Esta é a segunda geração desta parceria e, com os smartphones a serem mais do que uma ferramenta de comunicação, entendemos ser importante ter múltiplas colaborações com outras indústrias para obtermos inovação na nossa indústria de smartphones. O terceiro é a importância do investimento em múltiplos canais, porque o mercado europeu é grande e é preciso identificar os segmentos de diferentes países. Por exemplo, a série Mate concentra-se em eficiência, desempenho, autonomia, design e câmaras, destinando-se a utilizadores que procuram este tipo de características. A linha P – lançámos o P9 também este ano – está mais concentrada no design, no sentido de moda e na fotografia, que são muito importantes para a classe média que privilegia a criatividade. E na IFA, em setembro, lançámos o Nova, que se foca nos jovens. Temos também a linha Y, que se distingue pela relação qualidade/preço. Ou seja, no nosso portefólio há soluções para diferentes segmentos, porque investimos muitos nos últimos cinco a seis anos na compreensão do mercado europeu e estamos muito confiantes que vamos continuar a crescer nele.

Referiu o SuperCharge e, até durante a apresentação do Mate 9, o CEO da Huawei, Richard Yu, fez uma piada sobre baterias que explodem. Gostaria de saber a sua reação ao desastre do Note 7. Com o lançamento do Mate 9 e com o problema do Note da Samsung, passaram a ser o alvo a abater no mercado de phablets Android?

Identificámos que havia cada vez mais utilizadores à procura de ecrãs maiores e de maior eficiência a nível de autonomia da bateria e do carregamento rápido. Como referi anteriormente, o Mate 9 destaca-se pela performance e o novo processador Kirin 960 também melhora a eficiência energética. Temos orgulho em dizer que este produto proporciona uma experiência de utilização diferente para quem procura autonomia e também fotografia. Portanto, estamos confiantes de que este produto será um sucesso nos países europeus.

Prefere então não fazer qualquer referência à Samsung… Com o lançamento dos P7 e P8, a Huawei parecia querer fazer uma aposta forte em preços acessíveis, mas essa estratégia parece ter mudado um pouco com o P9, que registou um aumento no preço. A diferença de preços entre o topo de gama da Huawei e os dos concorrentes vai continuar a esbater-se?

É uma boa pergunta. No mercado europeu, a maioria dos utilizadores tem vindo a utilizar smartphones nos últimos cinco a seis anos, pelo que agora estão a trocar de smartphone pela segunda ou até terceira vez. Portanto, o que é mais importante para eles? É uma melhor experiência, ou seja, procuram melhores telefones e não telefones mais baratos. É por isso que com o P9 fizemos algo de revolucionário a nível de inovação com a inclusão da câmara dupla. Foi a primeira câmara dupla traseira na indústria e hoje marcas como a Apple estão a seguir-nos. Essa é a nossa filosofia: fornecer os melhores produtos para melhorar a experiência de utilização. Claro que também tentamos obter um equilíbrio com o preço, para que seja acessível aos consumidores.

Em termos de tecnologia, para onde acha que irá o mercado de smartphones a médio prazo? Onde irá a Huawei focar-se mais: design, performance, câmaras, outro tipo de inovações?

Hoje em dia, o smartphone é mais do que uma ferramenta de comunicação, conjuga aspetos como design, fotografia, bateria… Estamos focados em melhorar as funcionalidades importantes. No P9 e no Mate 9 conseguimos isso a nível de fotografia, de design e de bateria. Para além disso, estamos constantemente a colaborar com marcas de outros países que possam trazer diferentes experiências aos nossos smartphones. Um exemplo é a colaboração com a Harman/Kardon para o áudio. Ou seja, estamos sempre à procura de possibilidades que tragam inovação.