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DECO: um quarto dos produtos do Black Friday não tinha descontos

A associação de defesa do consumidor admite encaminhar para a ASAE casos suspeitos de manipulação de preços que foram detetados durante o Black Friday. Os descontos médios dos produtos de eletrónica oscilaram entre 15% e 25%.

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Black Friday, Desconto do IVA ou Nota 20. Três nomes para a mesma época de descontos que teve o auge no último fim-de-semana de novembro na Fnac, na Rádio Popular e na Worten. As campanhas tinham por pressuposto descontos que poderiam chegar «até 50%» do preço praticado durante o resto do ano, mas segundo a associação de defesa dos consumidores DECO, um quarto dos produtos eletrónicos abrangidos pelas reduções de preços, na verdade, não tinha um preço compensador para o consumidor.

«Na maioria dos produtos, compensa comprar, mas há muitas situações em que os consumidores se devem estar alerta para não ser levados pela publicidade que apresenta descontos até 50%», conclui Tito Rodrigues, jurista da DECO, alertando para o facto de os descontos praticados serem bem menores que os ambicionados 50%. «Foram muito-muito-muito poucos os produtos que realmente tiveram descontos de 50%», acrescenta o jurista, quando questionado pela Exame Informática.

Tito Rodrigues esclarece que os descontos diferidos, as reduções que apenas são realizadas em caixa (mas que não são apresentadas on-line) e os produtos que não eram abrangidos pela campanha não foram contabilizados para a estimativa que aponta para um quarto dos produtos não ter realmente beneficiado de descontos, apesar de abrangido pela Black Friday.

Os números agora revelados têm por base as pesquisas levadas a cabo através de um comparador on-line que a associação de defesa do consumidor disponibilizou na semana passada.

Em três dias, essas ferramentas recebeu 90 mil visitas que pesquisaram os preços de mais de 125 mil produtos. O balanço da DECO revela que a Fnac, a Rádio Popular e a Worten foram responsáveis por 82% das pesquisas realizadas no comparador on-line da DECO.

Tito Rodrigues informa ainda que os descontos médios praticados durante o período de Black Friday oscilaram entre 15% e 25%. «Apesar de tudo, o mercado português não pôde beneficiar daqueles descontos enormes que costumam ser feitos no Reino Unido e nos EUA. As lojas desses países costumam lidar com stocks muito maiores, que têm de ser escoados de chegarem todas aquelas novidades que costumam ser lançadas na altura do Natal», refere o jurista.

Durante o período de Black Friday, foram reportados à DECO casos de manipulação de preços (geralmente, situações em que há aumento de preços substancial antes dos descontos da Black Friday, para dar ideia de uma redução acentuada). Nos próximos tempos, a associação de defesa de consumidores vai analisar esses casos. As situações que tenham indícios de manipulação de preços suficientemente fortes serão encaminhadas para a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Ao contrário de iniciativas do passado, o comparador on-line pretendeu mudar de paradigma da DECO. Tito Rodrigues dá a missão por cumprida no que toca a esta nova abordagem que, em vez da fiscalização, aposta na divulgação: «Conseguimos dar informação e alertar os consumidores. E conseguimos operar em tempo real junto dos consumidores e dos retalhistas».

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