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«Há 15 mil vagas de trabalho para quem tem competências digitais»

Google lançou hoje cursos online e presenciais em parceria com Politécnos de Aveiro, Leiria e Setúbal. Os cursos gratuitos destinam-se especialmente a profissionais que pretendam tirar partido das tecnologias para potenciar a carreira profissional.

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As mais recentes estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para uma taxa de desemprego de 10,8%. A taxa até poderá ser menor que noutros países, mas não chega para explicar um paradoxo que tem vindo a ganhar dimensão nos últimos tempos: «há 15 mil postos de trabalho por preencher para pessoas que tenham competências digitais. E este é um número que todos os dias cresce», adianta Maria Fernanda Rollo, Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, depois de participar esta segunda feira no arranque do Movimento Código Portugal e no lançamento do Atelier Digital da Google, no Politécnico de Setúbal.

De 5 a 11 de dezembro, o Movimento Código Portugal tentará sensibilizar os jovens para o potencial que a programação em especial, e as tecnologias em geral, têm no que toca a carreiras profissionais e salários. Além de tentar desmistificar a aprendizagem das ciências ligadas à informática, a iniciativa de sensibilização está apostada em tentar inverter a crónica escassez de profissionais de informática, que já levou gigantes tecnológicos não só a disputarem os melhores programadores como a lançarem programas de apoio à formação tecnológica.

«Aumentar a literacia e as competências para a área digital tem de se tornar um desígnio nacional», sublinha a secretária de Estado.

O governo da coligação PSD-CDS já havia lançado as bases para as primeiras experiências relacionadas com o ensino da programação (em Scratch e Kodu) junto de crianças do primeiro ciclo do ensino básico. No total, haverá cerca de 50 mil crianças que já estarão a aprender os conceitos e os rudimentos da programação durante as aulas. Maria Fernanda Rollo recorda que o atual governo expandiu, em maio, a formação tecnológica para adultos com o lançamento de um programa que promete formar até 20 mil pessoas até 2020. «Queremos continuar a expandir esta aposta para várias faixas etárias. E é por isso que há várias entidades que pretendem aderir a estas iniciativas», refere a secretária de estado.

A Google é uma das empresas que também se juntou às iniciativas que vão percorrer o país com o propósito de fomentar o ensino das tecnologias junto dos mais novos ou da formação profissional que promete abrir novas perspetivas de carreira. É com estes propósitos que é lançado o Atelier Digital, um curso que contém uma componente online e uma componente presencial de três dias (cada dia com oito horas de formação).

Estes cursos gratuitos são compostos por 23 módulos que são selecionados de acordo com os perfis indicados pelos utilizadores. A formação presencial deverá arrancar durante o primeiro trimestre de 2017, nos politécnicos de Aveiro, Leiria e Setúbal, que se juntaram à iniciativa.

Francisco Ruiz, Diretor de Assuntos Institucionais da Google Portugal e Espanha, acredita que o sucesso que a iniciativa alcançou no país vizinho poderá repetir-se em Portugal: «No limite, todas as pessoas que sabem falar português podem inscrever-se neste Atelier Digital».

Em Espanha, um projeto similar da Google atribuiu certificados a 120 mil pessoas que puderam aprender a dominar conceitos de marketing digital, motores de busca, análise de dados, entre outras matérias que constam nos 23 módulos de formação abrangidos pelo curso.
Francisco Ruiz não hesita em revelar números que confirmam o empenho da Google na formação em tecnologias: as diferentes versões do curso Atelier Digital exigiram um investimento de 45 milhões de euros à gigante dos motores de busca.

«Claro que admitimos poder vir a evoluir esta formação para a área da programação, ainda que noutros moldes. A linguagem do século XXI é a programação», refere o responsável da Google.