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Web Summit: 1,3 milhões de investimento para 300 milhões retorno

Ana Teresa Lehman, secretária estado da Indústria, dá a conhecer as expectativas para a segunda edição da Web Summit em Lisboa. Sobre o Startup Visa, a governante recorda: «É um mecanismo de facilitação; não quer dizer que não há escrutínio».

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Há um ano, João Vasconcelos fazia as honras da “nova casa” da Web Summit. Este ano essa missão caberá a Ana Teresa Lehmann, que entretanto substituiu Vasconcelos na secretaria de Estado da Indústria. Além do crescimento quantitativo, a governante destacou o crescimento qualitativo que a conferência tem vindo a registar, com eventos complementares e mais-valias intangíveis que só se fazem sentir a médio e longo prazos. A quem dúvida do potencial da Web Summit, Lehmann deixa mais um exemplo: «hoje, decorreu o Venture Sumit com cinco centenas de investidores internacionais e do âmbito do capital de risco que representam cerca de 100 mil milhões de euros».

Em 2019, ainda haverá Web Summit em Lisboa?

Há dois dias o Paddy Cosgrave (mentor da Web Summit) falou de estar a considerar seriamente de ficar aqui até 2020… estas são as suas palavras. Nós, naturalmente, gostamos muitpo de ter este tipo de evento em Portugal… se a organização entender assim, teremos todo o gosto (em manter o evento em Portugal).

O investimento compensa?

Compensa largamente. (O evento) Foi contratado com 1,3 milhões euros por ano em termos de apoio público. Só em termos de serviços básicos a reprodutividade é de 300 milhões de euros – estimada para este ano. No ano passado, a estimativa era de 200 milhões de euros. Este ano temos mais delegados, mais participantes, e além disso, o que é mais importante não é o impacto imediato. Vamos ter certamente um impacto acrescido em médio e longo prazos. Sobretudo, há um posicionamento do nosso país, como um destino de investimento tecnológico, e como um ecossistema vibrante no âmbito de startups e do empreendedorismo. Há um conjunto de vantagens a múltiplos níveis quer no ponto de vista financeiro como do ponto de vista intangível.

… Mas este é o ano da verdade… um verdadeiro vai-ou-racha!

Não diria do vai-ou-racha. A primeira edição já foi um sucesso – e essa visão já foi amplamente consensual. Mas, naturalmente, melhoramos com a experiência. Lidero um grupo que organizou a parte portuguesa da Web Summit e fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para melhorar com a experiência da primeira edição. As nossas expectativas é que esta edição ainda seja melhor que a primeira.

De qualquer modo há um limite máximo… ou será que dá para continuar a crescer ininterruptamente?

A questão não é só crescimento. Em termos de crescimento há a parte quantitativa… passámos de 53 mil delegados para um pouco mais de 60 mil. No entanto, temos um tema qualitativa a considerar. Temos 1200 oradores de excelência e um conjunto de investidores cada vez mais robusto. Do ponto de vista qualitativo, há alguns desenvolvimentos interessantes.

A representação portuguesa mais uma vez vai ficar sobrerrepresentada face à dimensão que a economia e a população nacionais têm no mundo…

Um evento quando se realiza num determinado país tende a ter uma representação mais significativa do próprio país. Isso acontece regularmente. É um ponto fundamental de contacto desde startups, grandes empresas, grandes grupos nacionais e internacionais, investidores e capitais de risco. Mas queria salientar que, além do evento propriamente dito, há um conjunto de eventos complementares. Por exemplo, hoje decorreu o Venture Sumit com cinco centenas de investidores internacionais e do âmbito do capital de risco que representam cerca de 100 mil milhões de euros. Tivemos estes investidores num evento antes de começar a Web Summit! Durante a Web Summit, há mais 1500 investidores devidamente acreditados como tal. É um fórum muito interessante para as startups apresentarem projetos, para gerarem ligações… é algo que pretendo fazer sistematicamente: organizar um conjunto de eventos de aproximação de grandes empresas nacionais e internacionais a startups. Vamos criar três a quatro eventos para pôr os vários intervenientes em contacto nas áreas da energia, das Fintech, do agroindustrial, entre outras. Vai ser uma iniciativa interessante, que vai chamar a atenção a alguns grandes grupos que vão poder conhecer o que se faz cá.

Também é um momento que já entrou na agenda política… a avaliar pelas notícias que saíram recentemente a dar conta do fim do visto para quem abrir uma startup em Portugal!

O Startup Visa é um instrumento fundamental na agilização do processo de entrada para alguém que vem trabalhar em startups. É um mecanismo de facilitação; não quer dizer que não há escrutínio. Trata-se de facilitar ao nosso país investimentos estrangeiros.

Mas quando o governo quer anunciar alguma medida nova, se calhar, já tem em conta as datas em que decorre a Web Summit?

Depende da área… O governo tem múltiplas iniciativas e não pode estar à espera do Web Summit. Naturalmente, há medidas que estão em progresso e estão ultimadas mais ou menos nesta altura… e se forem de índole tecnológica fará sentido anunciá-las num evento como este. Mas não um aguardar pelo Web Summit para anunciar medidas, porque isso acontece durante o ano todo.

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