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Web Summit: como a tecnologia ajudou a Walmart a entrar no caminho da sustentabilidade

Um dos maiores retalhistas do mundo recorreu à tecnologia para conseguir reduzir a sua pegada ecológica mantendo-se competitiva. Kathleen McLaughlin, a chief sustainability officer da Walmart, esteve na Web Summit e explicou o que a empresa vai fazer para conseguir reduzir as emissões poluentes em mil milhões de toneladas até 2030.

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A entrada daquele que é um dos maiores retalhistas do planeta – a Walmart tem mais de 11 mil lojas espalhadas pelo mundo – no comboio da sustentabilidade não aconteceu recentemente. A empresa norte-americana iniciou em 2005 a criação de políticas que permitissem a redução de emissões, mas sempre deixar de ter a eficiência e a redução de custos como fio condutor. E este posicionamento não foi pressionado pelos clientes da empresa.

«Em 2005 a imagem dos grandes retalhistas era a de grandes poluidores, despesistas e pouco sensíveis a questões ambientais. Era um retrato fiel do setor, mas nós, internamente, olhámos para a questão como uma oportunidade. Por isso, começámos a estudar técnicas para conseguirmos melhores economias de escala e a poupar em alguns dos sistemas que estávamos a utilizar», explicou Kathleen McLaughlin a uma plateia lotada na conferência “Planet Tech”, uma das muitas áreas da Web Summit.

«Hoje existem muitas razões para as empresas do retalho entrarem nas políticas ambientalistas. Se estivermos atentos à produção de resíduos, no nosso caso 77% da produção de resíduos é sustentável. Há empresas a comprar esses resíduos. Ou seja, compensa seguir essas políticas.», e a responsável pela sustentabilidade da Walmart deu exemplos práticos de mudanças implementadas pela empresa. «Removemos 98% dos químicos indicados como menos recomendados pelos especialistas. Em detergentes, champôs, etc. Conseguimos ter melhores produtos usando uma química mais sustentável. Mas o desafio é sempre o de encontrar os substitutos que sejam economicamente viáveis. Mas a aposta é claramente num produto de melhor qualidade.»

Áreas como a Química e a Inteligência Artificial são usadas pela Walmart para redesenhar processos na cadeia de valor. «Mudámos tanta coisa na nossa operação. Aliás, não apenas na nossa. Trabalhamos com uma vasta rede de parceiros e espalhamos estas políticas e boas práticas influenciando-os e permitindo resultados de maior escala. E fomos desde os pormenores mais pequenos. Por exemplo, a forma como os pacotes são desenhados, como os motoristas conduzem, como os carregamentos são efetuados. Com o auxílio de várias tecnologias, conseguimos obter otimizações que tiveram em vista a otimização financeira, claro, mas o propósito da sustentabilidade sempre foi o gatilho inicial e o principal motivo para a transformação», concluiu.

Um dos maiores produtores de energia

Com uma rede de lojas tão vasta e com uma logística complexa, a Walmart apostou em tornar-se um produtor de energias alternativas. «Em 2005 tínhamos decidido usar apenas energias 100% renováveis. Para isso, investimos na criação das nossas próprias fontes de produção. Investimos em sistemas de energia solar e, mais tarde, na energia eólica. Somos agora um dos maiores produtores privados de energias renováveis nos EUA. As nossas necessidades já são satisfeitas em 30%, mas queremos chegar aos 50% em 2025 e atingir aos 80% na redução de emissões.»

Esta estratégia vem ao encontro da iniciativa “Project Gigaton”, na qual a empresa se propõe a reduzir mil milhões de toneladas de emissões até 2030. Algo que conta com a participação de toda a cadeia de parceiros do retalhista. A responsável da empresa está otimista na concretização do objetivo: «Em 2007 ambicionávamos diminuir em 20 milhões de toneladas as nossas emissões de gases nocivos. Conseguimos atingir os 40 milhões, mas andamos nisto há uma década. O “Projeto Gigaton” é muito mais ambicioso. E nada disto é possível fazer sozinho. É necessária a colaboração de empresas, laboratórios e entidades governamentais. Mas estamos otimistas e confiantes que os nossos meios de produção vão continuar a modernizar-se e serem mais eficientes.»

É preciso ter noção que a redução a que a Walmart se propõe é a mesma emitida pela Alemanha durante um ano. Sim, a quarta maior economia do mundo. A cadeia de produção da Walmart é responsável por 60% das emissões de gases nocivos, 80% da utilização de água e 66% da deflorestação… causada pela empresa americana ao ambiente. Números que constam do relatório do Consórcio Mundial da Sustentabilidade.

Por isso, conseguir agir nesta cadeia de valor é crítico para a empresa conseguir cumprir os objetivos do projeto.

Como seria de esperar, o tema das alterações climáticas e do facto da Administração Trump não estar alinhada com as diretivas internacionais esteve no centro da conversa. A responsável da Walmart alertou para o facto de «a nossa empresa foi das primeiras a aderir ao movimento “We’re Still In” (Nós ainda fazemos parte) que junta as organizações que estão alinhadas no cumprimento de políticas de sustentabilidade definidas internacionalmente. Não vamos desistir destes objetivos só porque a Administração mudou. Ao longo dos anos já vimos muitas administrações chegar e partir».

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