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Fraunhofer vai instalar centro de agricultura de precisão em Portugal

Dan Kitwood, Getty Images

O governo já firmou a renovação das parcerias com a Sociedade Fraunhofer e as universidades de Carnegie Mellon (CMU), Texas em Austin (UT Austin) e Massachusetts Institute of Technology (MIT). Espaço, oceanos e clima são novas áreas de investigação

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A Sociedade Fraunhofer, que tem no currículo o desenvolvimento do MP3 e já tem um centro de investigação a operar no Porto, vai instalar um centro de investigação especializado na agricultura de precisão e na gestão da água. A instalação do novo Centro surge na sequência da renovação dos acordos de parceria entre estado português e instituições de ensino e investigação estrangeiras.

«A instalação deste segundo centro será feita em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a Universidade de Évora e o Centro IKTS da Fraunhofer em Dresden, de forma a garantir formas de produção agrícola sustentável, apoiada na gestão da floresta inteligente através do uso de sistemas robotizados e de observação da Terra», informa um documento de apresentação da nova fase de parcerias que o MCTES fez chegar à Exame Informática.

A Sociedade Fraunhofer é uma instituição de investigação alemã. Da parceria mantida com o governo português nos últimos anos, resultou a instalação de um centro de investigação ligados aos dispositivos móveis e às telecomunicações no Porto. Não foram fornecidos detalhes sobre o investimento ou as infraestruturas ou recursos usados pelo centro que vai ser criado em parceria com a Universidade de Évora e a UTAD.

A criação de um novo centro de investigação não esgota as novidades no que toca aos programas de parceria com instituições estrangeiras. Além do acordo com a Sociedade Fraunhofer, o MCTES fez saber que vai renovar os acordos de parceria com as universidades de Carnegie Mellon (CMU), Texas em Austin (UT Austin) e Massachusetts Institute of Technology (MIT). Com esta renovação, as parcerias apenas deverão cessar em 2030.

A parceria com a Sociedade Fraunhofer deverá ter um custo de seis milhões de euros. As parcerias com a CMU e o MIT têm um custo de 20 milhões de euros cada. A parceria com a Austin UT implica um investimento de 18 milhões de euros.

Ainda não são conhecidos todos os pormenores das parcerias com as universidades americanas e a Sociedade Fraunhofer, mas os valores agora acordados correspondem a pouco mais de metade dos 120 milhões de euros investidos nos mesmos programas, nos últimos 10 anos. Durante este mesmo período, mais de 1500 estudantes e 300 empresas participaram nos projetos abrangidos pelas parcerias internacionais.

Aém da criação do novo centro de investigação da Fraunhofer, a renovação de parcerias com as universidades estrangeiras deverá alargar-se a dois novos vetores de investigação: o desenvolvimento de projetos relacionados com a indústria espacial; e ainda atividades que contribuam para os projetos que o Air Center, que agrega vários países, vai levar a cabo na área do estudo do clima e dos oceanos.

Até à data, a parceria MIT Portugal tem tido raio de ação as bioengenharias, transportes e sistemas de energia sustentáveis. Com a renovação das parceria, a MIT Portugal «terá como objetivo a investigação e inovação nas áreas de engenharia, inteligência artificial, cibersegurança e smart materials, que deverão ser aliadas às tendências da designada blue economy (economia sustentável dos oceanos) e do new space (a nova vaga da indústria espacial)», referem os documentos do MCTES.

Durante a nova fase, a parceria CMU Portugal pretende tirar partido das oportunidades geradas pelo Air Center, privilegiando «a ciência de dados e engenharia, inteligência artificial, machine learning, análise de dados, autonomia, mobilidade e design thinking», explica o MCTES.

A parceria UT Austin Portugal já levou para a Universidade do Minho um supercomputador que poderá ser usado em simulações que para «de âmbito científico e empresarial em áreas que abrangem o clima, a segurança marítima, o apoio às pescas, a monitorização de padrões de mobilidade nas cidades, o estímulo à biodiversidade, a gestão do risco nas florestas, as aplicações na saúde e a bioinformática», referem os documentos do MCTES. Até à data, a parceria com a UT Austin tem incidido especialmente no desenvolvimento da computação avançada, da matemática e dos média digitais.

Através das parcerias realizadas com estas quatro instituições, vários estudantes de universidades portuguesas têm vindo a obter doutoramentos e mestrados com períodos de formação no estrangeiro. No caso da Fraunhofer, a parceria contemplou ainda a instalação de um laboratório com vários investigadores em permanência na Asprela, Porto.

A par das renovações, o MCTES anunciou ainda o estabelecimento de uma parceria com a rede de politécnicos finlandeses (ARENE-Demola Global). Outra das parcerias dá pelo nome de Ib4 e foi «estabelecida entre a Fundação Bancária “la Caixa” e a FCT, com a missão de apoiar projectos de investigação em biomedicina e saúde».