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Santa Maria vai receber a primeira estação da EUMETSAT

Maquete da futura estação que vai ligar a ilha de Santa Maria aos satélites EUMETSAT

Na Ilha de Santa Maria, a futura estação da Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos já começou a ganhar forma. Edisoft quer criar um teleporto até ao final do ano.

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Em julho fica concluída a construção do edifício e das infraestruturas; em setembro segue-se a instalação da antena, e dos equipamentos de controlo e processamento de dados. Depois destas duas fases, já será possível inaugurar a primeira estação da Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos (EUMETSAT) em solo nacional. A futura estação já está em construção na ilha de Santa Maria, Açores, com o propósito de receber dados de uma nova geração de satélites e garantir a cobertura dos sistemas de previsão de meteorológica da EUMETSAT com dados da região norte do Atlântico. Só depois de 2021, a nova estação que vai ser operada pela Edisoft deverá estrear-se nas comunicações com satélites.

«A nova estação vai operar dentro da rede de estações da EUMETSAT para a aquisição de dados meteorológicos enviados pela nova constelação de satélites de órbita polar EPS SG», explica Ricardo Conde, gestor do Segmento Terrestre da Edisoft.

A Edisoft, empresa detida pelo Estado Português e pela Thales, garantiu mediante concurso junto da EUMETSAT um contrato com vista à construção e à operação de uma nova estação de recolha de dados meteorológicos. A nova estação está a ser edificada junto de outras estações que a Edisoft tem na localidade do Monte das Flores. O projeto de implementação da nova estação da Ilha de Santa Maria tem sido levado a cabo em parceria com o Governo Regional e com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). O Governo Regional cedeu o terreno durante 20 anos; e o IPMA, enquanto participante da EUMETSAT, é um dos beneficiários diretos da informação provenientes dos satélites.

O projeto prevê a instalação de uma antena que não será visível por quem passa nas imediações, por se encontrar no interior de uma “redoma” que garante a proteção contra a agressividade dos ventos e da maresia. Esta componente esférica deverá ter seis metros de altura e ficará assente sobre um edifício de sete metros de altura, que deverá albergar vários equipamentos de controlo e receção de dados.

É através desta nova infraestrutura, que recebeu o nome de Direct Broadcast Azores (DBA), que serão estabelecidas as comunicações com a segunda geração de satélites meteorológicos que a EUMETSAT deverá estrear em 2021. A construção do edifício e das infraestruturas está orçada em meio milhão de euros, explica a Edisoft. A nova estação DBA está desenhada para se manter em operações durante 25 anos.

Os novos satélites da EUMETSAT, que deverão estar equipados com múltiplos sensores que captam informação de ventos, correntes marítimas e outras variáveis que influenciam as previsões meteorológicas, vão executar órbitas sobre os polos a 800 quilómetros de altitude.

Durante a “passagem” sobre oceano Atlântico, cada um dos seis futuros satélites EPS SG deverá enviar a informação recolhida pelos vários sensores para a estação DBA de Santa Maria. A comunicação entre a estação gerida pela Edisoft e cada um dos satélites deverá ser feita por rádio, nas frequências dos 8,2 GHz. Os dados enviados para a estação são encaminhados de seguida para os servidores da EUMETSAT, na cidade alemã de Darmstadt.

De acordo com o site da instituição, a EUMETSAT conta iniciar o lançamento de duas séries de três satélites de nova geração em 2021. A constelação deverá estar equipada com sensores óticos, infravermelhos e radares que permitem obter dados que, depois são enviados para a Terra, para efetuar previsões meteorológicas.

«Tendo em conta número de satélites, prevê-se que haja uma aquisição de dados por hora, explica Ricardo Conde, lembrando ainda as estimativas que, no cenário mais exigente, cada satélites poderá comunicar com a estação DBA cinco vezes num único dia.

«Não havia nenhuma estação deste género em Portugal. Com esta infraestrutura passamos a fazer parte do segmento terrestre da EUMETSAT. O que nos permite adquirir valências e aumentar as capacidades da Edisoft neste segmento», acrescenta Ricardo Conde.

A nova estação é uma das componentes com que a Edisoft pretende dar início a um novo projeto: a constituição de um teleporto, que funciona como uma gateway que permite a diferentes entidades comunicarem com diferentes constelações de satélites. O teleporto deverá estar criado até final do ano.

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