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O imperador do Japão vai abdicar. E isso é um problema para os departamentos de informática

O imperador Akihito só deverá abdicar a 30 de abril, mas antes, em fevereiro, o governo nipónico deverá anunciar o nome de uma nova era imperial

TOSHIFUMI KITAMURA

A 14 de fevereiro, têm lugar as celebrações dos 30 anos de entronização do imperador Akihito – e só depois dessa data o governo japonês deverá anunciar o o nome da nova era imperial, que se inicia com a subida ao trono do ainda príncipe Naruhito. A partir desse momento, o software e a informática em geral terão de ostentar a nova era imperial

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Se nunca ouviu falar do Bug do Ano 2000, então parabéns!, provavelmente tem menos de 18 anos de idade, ou então não se impressiona facilmente com cenários catastrofistas. Pelo contrário, no Japão, já faltará pouca gente que nunca tenha ouvido comparações entre o famoso bug resultante da incapacidade dos computadores antigos para se adaptarem à entrada no segundo milénio e o Bug do Imperador. E até 30 de abril dificilmente o tema deixará de ser falado – pelo menos enquanto houver computadores japoneses que não conseguem lidar com a abdicação de um imperador.

O Bug do Imperador começou a ganhar forma com os rumores e as notícias que dão conta de que, a 30 de abril, o chefe de estado japonês deverá abdicar do trono Japonês. Por enquanto, é apenas uma expectativa semi-oficial, mas é para ser levada a sério: o imperador Akihito tem 84 anos de idade, e além de ter sido operado ao coração recentemente, também foi sujeito a um tratamento a um cancro na próstata.

O próprio imperador já admitiu recear não ter muito mais forças para assumir as funções de Estado devido ao historial clínico, recorda o Daily Mail. Pelo que já não restam muitas dúvidas de que a abdicação e a entrega do trono do Crisântemo ao príncipe Naruhito deverão mesmo acontecer a 30 de abril.

Mas antes disso haverá outra data importante – que essa, sim, vai desencadear uma corrida às tecnologias e aos calendários que servem de referência para computadores, servidores, telemóveis, folhas de cáculos, sites de comércio eletrónico ou plataformas do Estado e dos municípios.

Sempre que o imperador muda, os japoneses passam a guiar-se por uma nova era no calendário. Atualmente, o Japão encontra-se na era Heisei, que é usada como uma referência política que ajuda a contextualizar o calendário gregoriano, que foi criado no Ocidente. A 14 de fevereiro, têm lugar as celebrações dos 30 anos de entronização do imperador Akihito – e só depois dessa data o governo japonês deverá anunciar o nome da era que se segue à Heisei, com a subida ao trono do ainda príncipe Naruhito. A partir desse momento, o software e a informática em geral deverão passar a ostentar os carateres da escrita japonesa que designam a nova era, em vez dos carateres da era que cessou.

O problema pode ser corriqueiro para a informática, mas promete uma valente dor de cabeça para o informático. Um exemplo: o imperador Akihito subiu ao trono em 1989 – e assim começou a era Heisei e terminou a era Shōwa. Pois hoje, passados quase 30 anos sobre essa mudança de era que ocorreu quando a tecnologia ainda não tinha presença que tem nas sociedades da atualidade, ainda há alguns serviços e aplicações que não mudaram para a era Heisei e que "julgam" estar no ano 93 da era Shōwa.

Os serviços que ainda se encontram na era Shōwa têm o problema acrescido de, eventualmente, não poderem passar a contabilizar os anos com três dígitos quando, dentro de sete anos, se chegar ao ano 100 dessa era, mas esse será seguramente o menos mau dos problemas: de acordo com o Guardian são vários os diagnósticos de especialistas de tecnologias que apontam para um cenário especialmente complexo resultante do facto de a mudança de eras imperiais partir ao meio o mesmo ano gregoriano (exemplo: se Akihito confirmar a abdicação a 30 de abril, como se espera, o ano de 2018 passa a ser, até esse dia, como integrante da era Heisei, mas os meses que se seguem passam a pertencer à nova era imperial, cujo o nome ainda não foi anunciado).

Em explicações para o Guardian, especialistas da Microsoft lembram ainda outro problema: os programadores que tentem enganar os sistemas com a pequena batota de manter a contagem em Heisei, depois de a era ter terminado oficialmente, poderão enfrentar situações de disrupção relacionadas com a incompatibilidade de eras e datas.

Do ponto de vista técnico há mais dois detalhes a ter em conta: 1) a Unicode deverá anunciar, em março, uma atualização da lista de carateres que são interpretados universalmente por vários sistemas informáticos, independentemente da linguagem usada, o que significa que terá pouco mais de um mês para o fazer face ao anúncio de nova era do governo nipónico em fevereiro; e 2) a era Heisei é descrita com dois carateres japoneses que, por questões técnicas e de grafismo, estão fundidos num único carater (em vez do dois carateres 平成 os sistemas informáticos japoneses costumam apresentar apenas ). O que significa que terá de ser criado um novo carater com valor de standard para o mercado japonês.

Por enquanto, o Bug do Imperador não é mais do que ansiedade e preparação. Todos os departamentos de informática nipónicos sabem que vão ter de entrar numa corrida às tecnologias – mas terão de esperar por fevereiro pelo anúncio da nova era. E com empenho e um pouco de sorte chegarão a 30 de abril já de acordo com a nova era imperial.

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