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Portugal e Brasil ligados por cabo submarino em 2020

As instalação de cabos submarinos tem vindo a assumir uma crescente importância geopolítica

ANDER GILLENEA

EllaLink promete ligar instituições académicas da Europa e América Latina a 100 Gbps. O novo cabo terá uma extensão de 10 mil quilómetros. Estão previstas terminações na Madeira e Sines

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A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) acaba de se juntar ao consórcio BELLA, que vai instalar um novo cabo ótico submarino entre Brasil e Portugal. O cabo submarino, que promete aumentar a capacidade de tráfego de dados entre a América Latina e a Europa de 10 Gbps para 100 Gbps, dá pelo nome de EllaLink – precisamente o mesmo nome da empresa hispânico-brasileira que lidera o projeto. Até ao final de 2020, a nova ligação já deverá estar operacional. O cabo submarino terá como prioridade fomentar a partilha de informação entre as comunidades científicas dos dois lados do oceano.

No Brasil, o futuro cabo submarino terá terminações em Praia Grande, no Estado de São Paulo, e Fortaleza, no Estado do Ceará. As primeiras ligações deverão ser estabelecidas com as ilhas de Cabo Verde e Canárias. Para o território português, estão previstas duas terminações: Uma na Madeira e outra em Sines.

De acordo com notícia publicada pela Agência Lusa em outubro de 2017, o projeto está orçado em 170 milhões de euros. A FCT informa que a instalação do cabo contou com financiamento da Comissão Europeia bem como de governos e instituições académicas da América Latina.

Além do crescendo de velocidade prometido, o novo cabo submarino tem objetivos geopolíticos e comerciais assumidos. O novo cabo submarino deverá ser o primeiro a ligar o Brasil à Europa sem passar pela América do Norte - uma alternativa que dará maior independência dos países sul-americanos e europeus e que começou a ganhar forma depois dos escândalos potenciados pelas fugas de informação levadas a cabo por Edward Snowden e Wikileaks, ainda quando Dilma Rousseff era presidente do Brasil.

Num evento realizado no ano passado, Jesús Bernad, diretor comercial, reforçou a aposta estratégica na costa alentejana: «Queremos converter Sines num 'hub' de cabos submarinos», prometeu o executivo da EllaLink, citado pela Lusa. A redução de custos de acesso à Net é outro dos benefícios apontados para este projeto pela EllaLink.

A FCT entrou no consórcio conhecido por BELLA depois de assinar um «contrato de direito de utilização irrevogável» que tem uma duração de 25 anos. Portugal, ao alojar duas terminações, é apontado como uma peça-chave para o projeto que deverá “cablar” o fundo do oceano ao longo de 10 mil quilómetros.

No comunicado que assinala entrada da FCT no consórcio do EllaLink, a FCT recorda que o novo cabo submarino pretende suprir a inexistência de infraestrutura que tem impedido a ligação direta entre as redes de grande velocidade que hoje conectam as instituições de ensino e laboratórios sul-americanos e europeus.

Na Europa, a rede de grande velocidade que é usada para propósitos académicos e transnacionais dá pelo nome de GÉANT. Na América Latina, a rede equivalente é conhecida por RedCLARA. Ambas passam a estar conectadas pelo novo cabo submarino a partir do final de 2020. «Com o EllaLink, o tráfego fluirá diretamente entre os dois continentes, melhorando a proteção dos dados e otimizando o custo/benefício da conectividade», explica a FCT em comunicado.

No mesmo comunicado, Luis Eliécer Cadenas, Diretor Executivo da RedCLARA e um dos responsáveis máximos do consórcio BELLA, não perdeu a oportunidade para enaltecer a importância histórica que poderá vir a ter esta ligação submarina: «Este marco é uma conquista fundamental para a comunidade de investigação e educação da América Latina. Estamos a abrir um canal direto de colaboração com a Europa, garantindo segurança e qualidade de serviço para as variadas aplicações científicas e de ensino que esperamos oferecer».