exameinformatica

Uma parceria VISÃO

Siga-nos nas redes

Perfil

Mercados

Google representa atualmente 70 mil empregos em Portugal

Andrés Leonardo Martinez Ortiz, director das relações com as comunidades de programadores android (Google)

Google

Andrés Leonardo Martinez Ortiz, diretor das relações com as comunidades de programadores Android, conta em entrevista exclusiva à Exame Informática, entre outras coisas, que a Google tem planos de investir na formação de 3000 programadores portugueses em sistemas Android

  • 333

Hugo Séneca e Francisco Garcia

Com mais de 3000 programadores, considera que a Google atingiu o seu limite de técnicos em Portugal? Como considera que a comunidade vai crescer?

Temos feito um grande investimento no ensino de competências digitais em Portugal e o programa de treino Android (Android Training Program) é o nosso novo projeto, cujo objetivo é dar formação a 3000 portugueses em OS Android, até ao final do ano. Temos conhecimento que a comunidade de programadores portugueses com conhecimento neste sistema operativo é grande, mas estimar um número é ainda uma questão complexa. No entanto, de acordo com uma análise global, em 2017, Portugal tinha aproximadamente 100 mil programadores (inclusive programadores de web, mobile e cloud) com conhecimento em Android. Segundo outro relatório, estimamos que 14% destes programadores tenha comparecido em encontros de programadores e assim podemos afirmar que os Google Developers Groups atingem 20% dos programadores que vão aos meetups. Há ainda muito por melhorar e a Google tem-se esforçado em fazer com que a tecnologia e o conhecimento sejam mais divulgados, particularmente para os estudantes com alguma experiência em programação de software que antes de entrarem no mercado de trabalho procurem um “refresh” em novas tecnologias. Todos os estudantes são importantes, mas não nos esqueçamos dos alunos de ensino profissional: eles desempenham um importante papel para as PMEs e na inovação da indústria.

Como descreve esta comunidade? Considera os portugueses inexperientes em Android? São empreendedores?

A comunidade tem uma composição muito heterogénea, mas todos os seus integrantes partilham a paixão por aprender e por partilhar, o lema deles é: «dar antes de receber». Eles implementaram um ecossistema de revisão de pares, um conhecimento baseado numa tecnologia que adapta as atividades a diferentes níveis de experiência. Diria mais, sendo um projeto auto-organizável, é oferecido à comunidade, tanto a membros como a organizadores, a oportunidade para melhorar diferentes competências: organização, comunicação, abordagens online, realização de eventos, planeamento e entrega de conteúdo. Treino de “mão em mão”, considerando que há uma conexão internacional, pois a comunidade apoia uma diversificação geográfica. No que respeita às competências dos membros, mais uma vez, a diversidade é um fator importante, dado que se podem encontrar estudantes, freelancers, empresários, CTOs e muito mais no grupo. Não há apenas profissionais, mas também pessoas que consideram a programação um hobby, que querem aprender sobre softwares e tecnologia. O que torna esta experiência interessante é a variedade no espectro de pessoas com quem trabalhamos, dos mais principiantes aos mais entendidos.

Considera que o aumento do número de programadores vai, por sua vez, aumentar o número de conteúdos (apps ou serviços) para dispositivos Android em Portugal? Quais as suas principais expectativas?

O conteúdo digital é atualmente uma peça importante na economia, no entretenimento e na educação. Apenas uma quota-parte das empresas tradicionais foi adaptada às tecnologias móveis. Portanto, as necessidades são enormes e quanto mais programadores existirem, maior a chance de inovar. Vários relatórios apoiam esta suposição em relação ao passado e cada vez mais se espera o mesmo para o futuro. Em termos de expectativa, a programação para web e as apps para telemóveis exigirão um grande apoio de áreas profissionais direcionadas para a assistência digital, programação para sistemas em cloud ou machine learning, que serão fundamentais para o funcionamento da nova economia.

Qual o impacto que o Android pode ter na economia portuguesa? E no mundo?

Vamos começar pelos factos: um relatório do BCG que encomendámos para analisar o impacto digital do Google no país estima que o emprego associado à atividade económica da Google em Portugal equivale hoje a 70 mil empregos - embora não criados diretamente pelo Google, esse número é cerca de três vezes maior que o número médio de empregos nos maiores empregadores do país (aproximadamente 25 mil). Ainda há mais de 3000 empregos equivalentes à receita compartilhada com anunciantes e criadores de conteúdo. Além dos empregos resultantes das receitas criadas nos negócios portugueses, a Google é indiretamente responsável pelo emprego de cerca de 10 mil programadores portugueses, que se dedicam principalmente à aplicação Android. O desenvolvimento de software tem um recurso importante que é o seguinte: não precisa de investimento de capital para a maioria das áreas. O Android é um ecossistema aberto, permitindo que fabricantes e programadores contribuam com valor em qualquer nível, desde dispositivos a apps. O que explica os 1,2 milhões de empregos criados na UE pela plataforma Android ou os 3 mil milhões de dólares (cerca de 2.6 mil milhões de euros) que a economia móvel adiciona ao PIB global.

Há escassez de programadores para Android? Pensa que as diferentes famílias tecnológicas (iOS e Apple, Windows e a Microsoft, entre outras) estão já a competir pelos melhores programadores?

A indústria digital continua a exigir cada vez mais profissionais: programadores, engenheiros de software, analistas de dados ou engenheiros de SRE (Site Reliability Engineering). Na verdade, muitas empresas de software têm participado ativamente em programas de treino, fornecendo recursos e programas online para programadores. Para além de que temos trabalhado em colaboração com instituições académicas para aprimorar o treino de programadores. Com o desafio, as comunidades online e as abordagens de código aberto foram adotadas globalmente, criando uma situação ideal em que as empresas colaboram na meta de treino e, portanto, os programadores têm sempre as informações necessárias para selecionar a tecnologia correta.

  • 333