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António Guterres: «O próximo grande conflito vai começar com um ciberataque»

António Guterres, na Web Summit em 2018

Crédito: Marcos Borga

Numa entrevista à revista Wired, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) volta a pedir que as armas totalmente autónomas sejam banidas

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António Guterres está «convencido» que se voltar a haver um grande confronto entre países começará «com uma ciberataque massivo, não apenas a instalações militares, mas também a infraestruturas civis», disse numa entrevista à Wired. O secretário-geral das Nações Unidas falava sobre os riscos de confrontos que podem existir provocados por uma tensão geopolítica, comercial e tecnológica, como aquela que está a acontecer entre os EUA e a China.

«Quando olhamos para o ciberespaço, é muito mais complicado [do que a Guerra Fria]. (...) Não temos clareza sobre os regulamentos nisto. Existe o princípio geral de que a lei internacional se aplica ao ciberespaço, mas não é claro como os métodos internacionais da lei se aplicam ou as leis da guerra», acrescentou.

O secretário-geral da ONU teme que no futuro haja uma separação tão forte entre duas grandes potências que «cada uma das áreas tenha mercados próprios, moeda própria, regras próprias, internet própria, estratégias próprias na inteligência artificial» e, «inevitavelmente», diz Guterres, «geoestratégias próprias» que fazem aumentar drasticamente os riscos de confronto.

Na entrevista, o líder das Nações Unidas, organização intergovernamental que conta com 193 Estados-membros, voltou a deixar claro que é totalmente contra o uso de armas letais com capacidade de decisão autónoma.

«Esta é uma posição que tenho salientado fortemente, somos contra armas, armas autónomas, que têm o direito de escolher os alvos e matar pessoas sem interferência humana. Sabemos que a tecnologia para isso está disponível. E não há consenso no mundo sobre como regulá-las», sublinhou o porta-voz da ONU.

António Guterres considera ainda que a tecnologia tem sido importante no desenvolvimento da sociedade, mas reconhece igualmente perigos para os quais é preciso maior atenção. Já na parte final da entrevista, o secretário-geral das Nações Unidas considerou como «perigosos» os mecanismos que existem atualmente e que permitem «o controlo das pessoas».

«Vimos como [as redes sociais] conseguem influenciar eleições, vimos exemplos disso. Por causa da informação que têm sobre mim, as empresas podem até tentar mudar os meus gostos, fazer com que compre o que eles querem. E há mecanismos que permitem o controlo, controlo político, que são preocupantes e se forem aplicados na sociedade podem minar a democracia.»

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