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DRC: o primeiro sintetizador português já está disponível para download

Para computador, telemóvel ou tablet; iOS ou Android. O DRC é provavelmente o primeiro software de sintetizador produzido em Portugal. Em pouco mais de um mês foi descarregado mais de 200 vezes. O desenvolvimento de hardware segue nos tempos mais próximos.

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Hugo Séneca

«É um som brutal», diz Nuno Santos, enquanto faz rodar os potenciómetros no ecrã do computador. O som corre pelas colunas do computador até preencher o pequeno gabinete na Startup Braga; de olhos postos no ecrã, o fundador da Imaginando vai introduzindo novos efeitos para mostrar que há várias formas de produzir um «som brutal» no DRC. Em cerca de um mês, foram contabilizados mais de 200 downloads nesta aplicação. Há uma grande probabilidade de os primeiros utilizadores serem músicos ou melómanos. Ou de terem sido atraídos pela curiosidade: «Há 15 anos que conheço este mercado e nunca vi nenhum software de sintetizador produzido em Portugal», refere Nuno Santos.

Na programação, o líder da Imaginando é Nuno Santos; mas na música é LPX. Foi com este nome artístico que atuou como DJ durante 10 anos e produziu dois EP. «Com o DRC, estamos a resolver as nossas próprias dores; estamos a criar o que achamos que tem valor para o mercado», refere o programador-músico. O DRC retoma uma paixão antiga, mas não perde de vista as mais recentes tendências. A aplicação está apta a descarregar sons a partir da cloud, e também pode ser usada como um plug-in dentro de plataformas de produção de música, como a VST.

Quem quiser dar mobilidade aos momentos de inspiração também pode descarregar este sintetizador virtual para tablets ou telemóveis (está disponível para iOS e Android). A versão de computador custa 50 euros; a versão móvel custa 15. «Há ainda uma versão gratuita para demonstração durante sete dias», acrescenta Nuno Santos.

O design também tenta ser contemporâneo. «Tentámos criar uma interface superminimal, contrariando um pouco as outras aplicações deste género, que têm designs muito parecidos com os sintetizadores do passado», explica Nuno Santos.

O DRC dispõe de 95 sonoridades de origem, que podem ser modeladas com os vários potenciómetros, produzindo diferentes combinações de sonoridades e efeitos, em diferentes frequências. A ligação à cloud promete exponenciar o número de opções artísticas até à «infinidade», promete Nuno Santos.

A aplicação pretende distinguir-se dos antecessores analógicos, compostos por botões, potenciómetros e teclas físicas e palpáveis, mas os mentores daquele que será, provavelmente, o primeiro software de sintetizador produzido em Portugal não desistiram de dar corpo a este projeto tecnológico com a produção de um hardware que possa suportar o DRC. Para o desenvolvimento do hardware, Nuno Santos e a Imaginando poderão tirar partido da parceria mantida com Rui Antunes, responsável pela loja de reparação de sintetizadores Analog Repair, que contribuiu com o conhecimento acumulado na área do áudio para o desenvolvimento do DRC. «Queremos criar um sistema que também tenha hardware. Essa versão física terá ainda de ser definida. Eventualmente, poderá vir a ter teclado», acrescenta o líder da Imaginando.

O potencial de um equipamento capaz de correr o DRC já começou a ser explorado. Hoje, na Startup Braga, é possível ver uma harpa que produz som através de oito feixes laser. O princípio é simples: colocados no braço inferior, os feixes laser estão apontados para sensores posicionados no braço superior; quando o músico passa com os dedos ou as mãos interrompe os feixes – e com essa interrupção o sistema emite um som correspondente a cada feixe. «A harpa está equipada com o nosso motor de síntese (de sons) e uma placa Raspberry Pi», informa Nuno Santos. Desde o desenvolvimento durante os laboratórios de verão Gnration até à data, a harpa com 70 quilos de peso já foi usada no evento Noites Brancas, em Braga, por músicos da Casa da Música, do Porto, no projeto Digitopia, e ainda inaugurações de espaços comerciais.

A harpa não substitui o desenvolvimento do sintetizador, em versão de hardware. Até porque a harpa funciona mais como uma peça conceptual: «É uma peça de arte, um desafio de criatividade, que não tem propósitos comerciais», conclui Nuno Santos.