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As coisas que nos ligam

Pedro Veiga, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e líder da ISOC Portugal, explica, num artigo para a Exame Informática, como a Internet que antes era um exclusivo dos humanos está a mudar a forma como nos relacionamos com as coisas.

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Pedro Veiga

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A designação Internet das Coisas surgiu há uns anos para designar algo que já estava a emergir com o crescente número de dispositivos digitais que se estavam a utilizar e com capacidade de ligação à Internet, de modo temporário ou permanente.

De um ponto de vista diferente, a Internet das Coisas idealiza um mundo, que em parte já vivenciamos, e onde além dos múltiplos sistemas que já temos e que estão ligados à Internet, tais como o nosso smartphone, o portátil, o televisor inteligente, irá crescer o número e tipo de dispositivos ligados à Internet. Há vários exemplos que podem ser dados: o relógio de pulso, o frigorífico, o automóvel, o monitor cardíaco, os equipamentos de conforto do nosso lar e muitos outros.

A crescente comunicação destes dispositivos com os seus utilizadores, destes dispositivos com outros sistemas automáticos sem intervenção humana – a chamada comunicação máquina a máquina – já estão a acontecer e a sua massificação deverá acontecer a um ritmo crescente.

Um outro aspeto da Internet das Coisas tem a ver com o facto de que todos estes novos sistemas ligados à Internet poderão produzir quantidades gigantescas de dados, parte da chamada Big Data. Este termo caracteriza um mundo em que os grandes volumes e dados, a velocidade a que estes são produzidos e transmitidos e a sua variedade vêm abrir novos desafios, oportunidades e perigos. O volume, velocidade e variedade destes dados costumam ser designados pelos 3Vs da Internet das Coisas.

A análise destes dados, feita por poderosos sistemas computacionais e que usam paradigmas de análise mais evoluídos, permitirá a extracção de conhecimento que, se bem usado, pode ser um instrumento muito útil em muitas áreas de interesse social e económico.

Como em todas as dimensões da nossa vida e sempre que uma tecnologia surge, tem o potencial de contribuir para um aumento da nossa qualidade de vida, mas também acarreta desafios e perigos.

Numa sociedade em crescente digitalização, há problemas de privacidade e segurança que necessitam de uma abordagem estruturada, devidamente apoiada em conhecimento técnico e onde se fazem os investimentos necessários para garantir um uso adequado das redes e dos sistemas de informação. A garantia de elevados padrões de segurança e privacidade são importantes para a adopção mais ou menos rápida destas tecnologias.

Nota: Hoje, a ISOC Portugal debate a Internet das Coisas no Instituto Superior Técnico.

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