exameinformatica

Uma parceria EXPRESSO

Siga-nos nas redes

Perfil

Opinião

Há demasiados smartphones bons no mercado

O consumidor agradece a quantidade e qualidade de telemóveis que tem à disposição nas lojas, mas a esmagadora maioria dos fabricantes não consegue ter lucros com estes produtos. Até quando este cenário será sustentável?

  • 333
Paulo Matos

Paulo Matos

Jornalista

Sabe quantos fabricantes de smartphones têm lucros com esses produtos? Todos? Não. A maioria? Também não. O top 10 de maiores marcas? Bem, não sou Pedro, mas vou negar pela terceira vez. Entre Abril e Junho deste ano foram vendidos 344 milhões de terminais no mundo – um crescimento de 4,3% em relação ao ano passado e sinal de que os telemóveis são dos poucos produtos de TI que atravessam um bom momento (roam-se de inveja, desktops, portáteis e tablets) – e há apenas duas marcas a lucrar neste mercado: Apple e Samsung.

Quem acompanha de mais perto o mercado de telemóveis sabe que este dado não é particularmente novo. Aliás, a grande novidade é o facto de a Apple ter reduzido a percentagem de lucros na indústria de smartphones de mais de 90% para 75% em um ano, com a Samsung a ficar com os restantes 25%.

Estes números estão presentes num estudo da Canaccord Genuity, embora seja preciso olhar para eles com um certo distanciamento. É que a empresa de serviços financeiros não consegue ter acesso aos dados dos fabricantes chineses, algo que não deve ser ignorado, pois a Gartner já coloca a Huawei, a Oppo e a Xiaomi no terceiro, quarto e quinto lugar dos maiores fabricantes de smartphones, respetivamente.

Vamos, então, dar de barato que o top 5 das principais marcas dá lucro. Como é que as outras subsistem? O que as leva a ainda estar neste mercado? E o que leva outras a entrar nele nesta fase, como acontece agora com a TP-Link, por exemplo? Cada fabricante terá a sua própria resposta: porque é um produto que se integra num ecossistema mais vasto e que esse portefólio completo permite chegar a mais clientes (tanto no segmento de consumo como no empresarial); porque favorece o branding e serve para mostrar inovação ao mercado; porque acreditam que ainda vão ter lucros; porque apenas escolhem os componentes a incorporar em fábricas chinesas e associam uma marca nacional; etc.

Lembro-me de uma conversa que tive, há cerca de três anos, com um responsável de uma marca reputada de PCs na altura e em que veio à baila a questão de por que também não avançavam para o fabrico de telemóveis? Resposta: Porque não dá dinheiro. E não avançaram mesmo. Outras há que persistem e que lançam sucessivamente bons telefones. Indiscutivelmente. Mas não ganham dinheiro com eles. Se tivesse um euro por cada vez que ouvi dizer que a Sony ou LG iam acabar com a divisão de smartphones, estaria neste momento a provar o menu de degustação do Belcanto.

Até quando continuarão a entrar novos players neste mercado? Desconfio que o mercado começará a seguir o caminho inverso a curto ou médio prazo, optando pela consolidação. Isto é, como acontece e deverá continuar a acontecer com os PCs: menos marcas e quotas de mercado maiores. Felizmente, quem sai a ganhar com isto tudo é o consumidor – por cerca de €200, a esmagadora maioria das pessoas poderá adquirir um smartphone que satisfaça todas as suas necessidades; e por menos de €400 pode comprar um verdadeiro topo de gama. O mercado está cheio de bons telemóveis, pelo que o difícil é escolher. Daí não estranhar que uma das perguntas que amigos e leitores mais me façam seja: “Estou a pensar comprar um telemóvel – o que recomendas?” E não, não há uma resposta universal.