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GM, Mercedes, Bosch… Vocês são a seguir!

Se a indústria automóvel não acelerar o passo, há marcas que correm o risco de repetirem a história da Nokia. A Apple está à espreita com muitos milhares de milhões para investir e uma legião de fãs que compram primeiro e perguntam depois.

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Era uma vez um mercado onde o Sony Walkman era rei, mas chegou um gadget chamado iPod que se tornou monopolista... Anos depois, a Nokia e mais uns fabricantes da área das telecomunicações faziam o que queriam no mercado dos telemóveis… Chegou o iPhone, e (quase) tudo levou. Há dois anos, apenas encontrávamos marcas com tradição em relojoaria na lista dos fabricantes de relógios com maior faturação… Chegou o Watch da Apple e esta marca já é a segunda que mais dinheiro consegue a vender relógios – só a Rolex faz melhor.

Agora a Apple está a trabalhar num carro ou, como parecem indicar os rumores mais recentes, em tornar-se numa fornecedora de tecnologia para a indústria automóvel. Será que a história vai repetir-se? É bem possível. É verdade que Steve Jobs, o grande responsável pelas conquistas mencionadas, já não está ao leme. Mas nunca uma empresa teve tantos recursos. Na realidade, os recursos financeiros da Apple são quase ilimitados. O que em conjunto com a capacidade de inovar da empresa e, sobretudo, com o valor da marca, faz da Apple uma ameaça séria para empresas como as indicadas no título. Até porque a indústria automóvel está ainda muito assente em processos comerciais e industriais que, para os padrões da Apple ou da Tesla, estão ultrapassados e limitam muito a capacidade de reação das empresas. Por exemplo, ainda é preciso esperar anos entre a ideia de um novo modelo e a chegada ao mercado. Há um sem número de parceiros envolvidos, investimento complexos em unidades de produção e uma rede de pós-venda a “alimentar”. Pior, as marcas tradicionais ainda não valorizam suficientemente a interface homem-máquina dos sistemas a bordo, a mobilidade elétrica ou a redes de partilha. Temas que estão no topo da lista de interesses dos novos condutores, mas que, por falta de interesse real ou por incapacidade de comunicação, parecem ser só usadas como marketing oco, sem consequências reais nas prioridades das marcas tradicionais de automóveis.

E a Apple não é única tecnológica à espreita. A Google até começou mais cedo a entrar no interior dos veículos através do Android. A Nvidia é quem fornece a plataforma aos Tesla e aos Volvo que já têm tecnologia de condução autónoma. Aliás, no que concerne a mobilidade elétrica e condução autónoma, as duas grandes tendências do futuro dos automóveis, os nomes que estão a fazer a diferença não são as GM ou as Bosch da indústria automóvel. São a Tesla, a Nvidia, a Google e, é claro, a Apple.

Muita coisa tem mudado nos últimos anos na indústria automóvel, como a criação de plataformas que permitem criar novos modelos muito mais rapidamente e a crescente implementação de sistemas de infoentretenimento. Há até alguns casos que já fazem o que seria impensável há alguns anos: atualizações remotas, sem ser necessário levar o carro à assistência técnica. Neste aspeto, o fenómeno Tesla certamente veio “espevitar” as coisas. Mas, a Apple sabe que há um espaço enorme para explorar. Como, aliás, a Tesla tem provado - que outra marca pode orgulhar-se de ter quase 400 mil encomendas de um carro que ainda nem se sabe bem como vai ser? Só que, ao contrário da Tesla, a Apple tem muitos milhares de milhões no banco que pode usar para tentar esmagar a concorrência. Falta saber se Tim Cook vai mesmo atacar as marcas automóveis ou se preferirá, até por razões estratégicas, começar pelo interior dos veículos.

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