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Nvidia, a conquistadora

A Nvidia ainda é mais conhecida pelos processadores gráficos GeForce que equipam a maioria das placas gráficas vendidas no mercado. Mas a empresa liderada por Jen-Hsun Huang tem vindo a diversificar o investimento de um modo que até pode passar despercebido.

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Mais importante ainda, está a recolher frutos de investimentos que muitos criticaram no passado por, aparentemente, terem levado o fabricante para mercados onde estava a ter prejuízos. O exemplo mais recente é a revelação que a próxima consola da Nintendo, a Switch, vai usar um processador Nvidia Tegra. Se o Switch conseguir obter nem que seja uma fração do sucesso da primeira Wii, é fácil perceber o que isso pode significar para as finanças da Nvidia. Recorde-se que o Tegra foi criado para tablets e não conseguiu conquistar uma fatia importante do mercado – por isso foi considerado por muitos um insucesso que a Nvidia devia abandonar.

O desenvolvimento do Tegra, um chip do tipo System-On-a-Cip (SoC), foi também fundamental para a Nvidia entrar na indústria automóvel. Este processador já era usado em muito sistemas de infoentretenimento para carros – ainda há pouco tempo tive a oportunidade de verificar isso mesmo numa visita à fábrica da Bosch em Braga –, mas, ainda mais importante, este chip serviu de base à plataforma Drive PX2. É possível que nunca tenha ouvido falar deste produto, mas provavelmente já sabe que a Tesla anunciou que todos os carros da marca passaram a incluir o hardware que vai permitir a condução autónoma. Ora, esse hardware é o Drive PX2 da Nvidia. Um sistema que também foi adotado pela Volvo para o projeto piloto que a marca sueca está a fazer com 100 carros com condução autónoma. Ou seja, a Nvidia conseguiu estar na linha da frente de um dos mercados que, segundo os analistas, têm maior potencial de crescimento. Na realidade, em termos de oferecer um produto completo, chave-na-mão, a Nvidia bateu todos os concorrentes, incluindo a gigantesca Intel.

Um dos segredos da arquitetura PX2 é a modularidade, que, de acordo com as necessidades de cada fabricante de automóveis, permite que seja usado para “motorizar” desde sistemas de apoio à condução (cruise control adaptativo e manutenção da faixa de rodagem) até sistemas de condução totalmente autónoma. Esta modularidade é também uma das grandes razões do sucesso crescente dos sistemas Tesla em supercomputadores e redes de deep learning. Os processadores Tesla equipam, por exemplo, o a plataforma cognitiva IBM Watson, provavelmente o sistema de maior sucesso na área da Inteligência Artifícial (IA). O que significa que a Nvidia está também muito bem colocada na IAl, outra das áreas consideradas de maior potencial de crescimento nos próximos tempo.

Considerando a força e eficência das tecnologias que a Nvidia tem vindo a desenvolver, é muito provável que dentro de alguns anos este fabricante deixe de ser mais conhecido pelas GeForce e passe a ser conhecido por ser um dos pilares fundamentais da IA e da condução autónoma.

Artigo publicado na Exame Informática 258

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