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Quo vadis, pornografia?

Como a tecnologia está a mudar por completo as indústrias do erotismo e da pornografia

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Paulo Matos

Paulo Matos

Jornalista

Para as gerações mais novas, imaginar um mundo onde a pornografia/erotismo não está à distância de um clique deve fazer-lhes franzir as sobrancelhas. Para as gerações mais velhas, foi a realidade durante a adolescência e grande parte da vida adulta. Sim, jovens, antigamente, ter acesso a imagens de nudez era tarefa árdua. Folhear uma Playboy ou a uma Gina era quase como encontrar um oásis no meio do deserto e alugar um filme “picante” no videoclube era tarefa para heróis, pelo que a maioria das pessoas acabava por se deparar mais vezes com este tipo de material (uns singelos seios desnudos, entenda-se) na revista de domingo do Correio da Manhã ou, posteriormente, no programa italiano Colpo Grosso que a SIC, fazendo jus ao epíteto de “excelência de conteúdos”, exibia sob o nome Água na Boca. Para quem não se recorda ou nem sequer era nascido na altura, era algo assim (aviso já que não envelheceu bem…).

E eis que, mais ou menos, a meio na década de 90 chega a Internet e tudo muda. Assiste-se a uma espécie de democratização da pornografia e do erotismo. E, de certa forma, a uma carga de ombro da pornografia sobre o erotismo que envia esta última para fora de jogo. Para quê ver uma senhora nua ou em trajes menores (ou um senhor – depende dos gostos, claro) quando se podia ver isso e ainda mais qualquer coisa? Sim, o erotismo podia ser uma arte e continua a sê-lo nos dias de hoje em plataformas como o calendário Pirelli. Mas a pornografia ganhou destaque na cultura pop, chegou ao mainstream. Não está em exibição nos cinemas como na década de 70 – quem viu Taxi Driver nunca se esquecerá de quando a personagem interpretada por Robert De Niro leva a de Cybill Sheperd a uma sessão destas no primeiro encontro –, mas também não precisa, pode ser consumida a qualquer momento no recato do lar. Como referiu Dinorah Hernandez, realizadora e produtora da BaDoinkVR, numa das conferências do Web Summit: «A pornografia está a tornar-se cada vez mais mainstream e está a ser consumida a um nível massivo, mesmo que as pessoas não o admitam».

Este artigo faz parte da Exame Informática Semanal. Para continuar a ler, CLIQUE AQUI (acesso gratuito)

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