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Tecnologia comunitária para um smart country

A importância de criar projetos open source que visam dar resposta às necessidades das comunidades. A opinião de João Pina, criador do site Fogos.pt

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João Pina

João Pina

João Pina, criador do Fogos.pt

Vivemos na era da informação. Seria, por isso, de esperar que obter informação de forma rápida e fácil fosse uma tarefa básica. E que seria ainda mais básica e imediata quando essa informação fosse urgente, tivesse utilidade e um impacto significativo na vida das pessoas. Acredito que estamos a caminhar para isso, mas ainda não chegámos a um patamar aceitável para nos considerarmos tecnologicamente evoluídos.

Sem precisarmos de chegar aos extremos de nos compararmos a países como o Japão, em que a tecnologia é muitas vezes criada de raiz e aplicada no bem-estar da sociedade, ainda temos muito trabalho a fazer e muito investimento a aplicar para nos tornarmos mais eficazes e usarmos a tecnologia a nosso favor. Em Portugal, não nos falta o talento, não nos falta o acesso às tecnologias, mas falta-nos combinar ambas as frentes e pô-las ao serviço da sociedade.

Temos, no entanto, grandes engenheiros informáticos e programadores em Portugal que têm essa vontade de criar produtos e serviços que ajudam o país a dar pequenos passos para usar a tecnologia a seu favor. Apesar de o Fogos.pt ser reconhecido como um destes casos, quero começar por dizer que o que está por detrás do projeto não é “rocket science”, mas a sua utilidade pública é inegável. Mas temos também outros exemplos, como o UnderLx, que avisa a população para atrasos e supressões das linhas do metro de Lisboa, ou o AtrasosCP, que faz o mesmo, mas com os comboios.

O Fogos.pt foi criado em 2015 para suprimir uma necessidade identificada num momento de lazer entre amigos: o site da Proteção Civil não permitia aceder às informações sobre os incêndios de forma rápida e fácil. Assim, o que começou como um website gerido apenas por uma pessoa é atualmente um website em open source que conta com a contribuição de dezenas de programadores por todo o país e que gera notificações imediatas quer na web, como no mobile, entre outras aplicações que estão constantemente a ser criadas e melhoradas.

O que torna estas aplicações tão geniais? Serem tão simples de criar e serem desenvolvidas por cidadãos comuns que decidiram usar o seu conhecimento para aplicar em tecnologia benéfica para a sociedade, em troca da satisfação de o seu trabalho ser útil para milhares de pessoas. É o sentimento de comunidade que se eleva perante outra qualquer opção mais rentável, sentimento esse que é partilhado por cada vez mais pessoas que querem deixar a sua marca, como verificamos desde que abrimos o código a todos.

Adicionalmente, o que destaca o Fogos.pt de outros meios de informação é a disponibilidade da informação em tempo real. Se, em períodos normais, as pessoas têm uma necessidade de ter informações ao minuto, imagine-se nos períodos em que familiares, amigos, casas, terrenos ou empresas estão em perigo de vida.

Além da comunidade de programadores, também crescemos e melhorámos graças ao apoio de entidades tecnológicas, que reconheceram no Fogos.pt um projeto de utilidade pública, com o potencial de melhorar a vida de muitos portugueses, como é o caso da Bright Pixel e da Mapbox.

Conhecendo Portugal como tão bem todos nós conhecemos, a evolução poderá passar por reunir peritos nas várias áreas que geram situações críticas e antecipar algumas necessidades. Não digo que seja fácil, mas algumas soluções mais simples poderão passar por lançar a pergunta: “sabes o que é que faz mesmo falta aqui?”. É esse o ponto de partida para tornar Portugal um país mais “smart”. A execução podemos deixar para quem perceba mais de tecnologia do que nós.