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Como pode a Blockchain impactar a economia das apps?

Carolina Marçalo, Diretora Executiva da App Store Foundation, explica, em artigo de opinião, a criação do AppCoins, um protocolo open source que pode ser distribuído por todas as lojas de apps, baseado na Blockchain Ethereum

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Carolina Marçalo

Carolina Marçalo

Diretora Executiva da App Store Foundation

O mercado atual das lojas de aplicações encerra em si três grandes barreiras que o impedem de alcançar o seu potencial máximo. Primeiro, a promoção das apps dentro da loja passa por diversos intermediários, sejam eles a dona da loja, a agência de meios, a agência de publicidade, o que não só reduz o lucro da aplicação, visto que cada ponto encerra uma comissão acima do valor real do pagamento, como ainda torna o processo pouco transparente, principalmente para uma empresa pequena.

Depois, os pagamentos feitos na app, ora para compra de itens, ora para comprar aplicações, não estão ainda diversificados o suficiente. Nos mercados emergentes, as margens atribuídas aos sistemas de pagamento são demasiado altas, havendo a necessidade de existir um método global e acessível a todos, em qualquer parte do planeta.

Por último, um dos grandes busílis do Android: as aprovações das apps na loja. Inúmeros são os valores de aplicações com malware identificadas na maior loja de aplicações Android, fruto de um processo de aprovação pouco claro e sem grande abertura para o exterior, o que não clarifica qual o processo de escolha efetuado pela loja.

Por isso, atentemos na questão que o título deste artigo nos faz: Como pode a Blockchain impactar a economia das apps? A nossa resposta foi a criação daquilo a que chamamos o protocolo AppCoins, que no fundo é um protocolo open source e que pode ser distribuído por todas as lojas de apps, baseado na Blockchain Ethereum.

Simplificando, a proposta que introduzimos ao mercado é a transação destes três fluxos para a Blockchain, o que acaba por não só cortar todos os intermediários do processo, como ainda torna o mercado circular e descentralizado, o que traz valor a developers, fabricantes e lojas de apps.

Assim, vejamos três exemplos práticos onde a Blockchain responde aos três problemas apresentados acima:

1. Promoção de Apps - Com recurso à Blockchain, o criador da app tem a possibilidade de investir diretamente numa Public Ledger. Graças ao Proof-of-Attention que desenvolvemos, o dinheiro investido é diretamente canalizado em AppCoins para o utilizador, ao descarregar e utilizar a app durante 2 minutos. O lucro desta promoção é pela primeira vez dada ao utilizador (85%), à plataforma/loja (10%) e fabricante (5%).

2. Pagamentos feitos na App - Sendo a Blockchain uma tecnologia que descentraliza os canais normais de pagamento e torna-os totalmente públicos, conseguimos que os utilizadores possam, sem ser necessário possuir um cartão de crédito, adquirir itens e aplicações com recurso a AppCoins sustentadas em Ethereum; todo o lucro que advém das transações de pagamentos dentro da aplicação é distribuído entre developer (85%), loja de app (10%) e fabricante (5%);

3. Aprovações de apps - Ao tornar tudo visível na Blockchain, consegue-se ver todo o historial de transações feitas a um developer. Desta forma, o seu ranking de confiança será definido pelo fluxo de pagamentos feitos na app que conseguir gerar através das campanhas de publicidade efetuadas dentro do mercado. Esta informação será então partilhada com todas as lojas de apps, tornando o processo claro e uniforme.

Para garantir a idoneidade do protocolo, será a App Store Foundation, lançada a 5 de novembro, a entidade a governar o protocolo e a promover uma economia aberta. Este consórcio reúne todas as partes interessadas para discutir a oportunidade do protocolo, tal como a definição da sua constituição.

Os projetos abertos – como a AppCoins – permitem alcançar o ecossistema de apps como um todo, sem barreiras geográficas. Isto quer dizer que qualquer um pode dar o seu input, adaptar e melhorar para que juntos, possamos criar uma alternativa ao atual mercado de apps através do consórcio.

Todas as transações em AppCoins estão ainda disponíveis publicamente, podendo qualquer pessoa analisá-las em tempo real (appcexplorer.io), incluindo transações in-app purchases (IAP) e proof-of-attention (PoA) de app developers, bem como transferências APPC entre todas as wallets compatíveis com AppCoins.

Apesar de todos estes os pontos a favor, a tecnologia Blockchain ainda tem um caminho longo a percorrer, sobretudo ao nível da reputação. A sua associação a projetos fraudulentos nos últimos dois anos acabam por minar um pouco a confiança do público em geral.

Porém, acredito que é uma questão de tempo, até porque ficam de pé os projetos que já têm casos práticos e acrescentam valor nos modelos de negócio de empresas. Na verdade, todos procuramos uma alternativa que não sirva apenas os “do costume”, mas sim utilizadores, fabricantes, developers e lojas de apps. Que seja transparente, descentralizada e adaptada a uma nova realidade e ao mundo inteiro.