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O lavar das mãos

Em muitos contextos, a tecnologia anda mais rápido que as leis, mas é preciso impor limites. A opinião de Pedro Oliveira

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Foi com particular interesse que segui, na Web Summit, a conversa que pretendia fazer “Um ponto de situação do atual estado da Tecnologia”. No palco principal o homem que foi CEO da Twitter (e agora é investidor em startups) e, ao seu lado, o CEO e fundador do Tinder – havia mais um interveniente da área do gaming que, confesso, não me recordo do nome.

Dick Costolo e Sean Rad entraram, rapidamente, no registo que apresenta a tecnologia como nem sendo boa ou má. Basicamente, tudo depende da utilização que lhe é dada... e é habitual criar-se uma tecnologia que acaba por ter outras finalidades que não foram antecipadas pelos seus autores. E esta foi a lengalenga usada por eles para a desresponsabilização do lado negro da inovação (sim, falou-se obviamente das Fake News, da Facebook e da Cambridge Analytica e, por exemplo, da verborreia que Trump espalha pelo Twitter).

Esta é uma “música” comum aos atores da tecnologia. Basta ver a entrevista que Tim Cook deu ao programa Axios, na HBO (procurem no YouTube, é fácil de encontrar), para encontrar o lavar de mãos habitual: «As empresas não produzem produtos que sejam intrinsecamente bons ou maus», disse o CEO da Apple. Mas Cook acrescentou uma frase que faz toda a diferença na narrativa vigente: «Mas as empresas devem estar atentas ao facto de que os seus produtos podem ser usados para o mal».

Sim, as organizações devem almejar bons resultados financeiros, mas não devem atropelar, escudados pela ausência de legislação, as normas vigentes. É verdade que em muitos contextos não há regulação porque a tecnologia anda mais rápido que as leis, mas tem de existir um limite para aquilo que as organizações podem, por exemplo, fazer com os nossos dados. E a desculpa de serem jovens em startups não cola. Até porque os números de Silicon Valley dizem que um empreendedor de sucesso tem mais de 40 anos. Ou seja, idade para ter juízo.

Por isso, pasmei a ouvir aquela conversa no palco central da Web Summit. «Não há um livro de regras para o Facebook ou qual é a melhor forma de esta rede operar na sociedade. É tão recente que temos de aprender com as coisas más que aconteceram», proclamava o criador do Tinder. Ou seja, tenhamos paciência com estes tipos que colocaram, e colocam, em risco milhões de dados dos seus utilizadores. É verdade que temos de pactuar com algumas destas dores de crescimento, mas é urgente que a regulação chegue ao espaço norte-americano e que seja coordenada com aquilo que já temos na Europa. Sim, é imperativo um RGPD para os EUA que responsabilize estas empresas.

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