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Trotinetas elétricas: solução ou praga?

A Lime chegou a Lisboa em outubro e logo foram distribuídas largas dezenas de “scooters elétricas”, mais conhecidas entre nós por trotinetas. As reações pró e contra não se fizeram esperar.

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Os que defendem este meio de mobilidade partilhado apontam vantagens como a facilidade de utilização, sustentabilidade energética e capacidade para evitar o trânsito. Quem está contra aponta, sobretudo, problemas de segurança: não há forma de controlar quem e como se utilizam as trotinetas (se têm a idade mínima, se usam capacete, se circulam nos passeios…) e estes aparelhos podem tornar-se obstáculos à circulação de peões e até dos carros. Algumas cidades acabaram por remover estes veículos da via pública e/ou criar regras mais apertadas para implementação destas redes. Uma reação aos milhares de trotinetas que apareceram a “poluir” a cidade um pouco por todo o lado e aos muitos relatos de acidentes, alguns deles graves.

Ambos os lados têm razão. As trotinetas são uma resposta interessante aos problemas de mobilidade cada vez mais comuns nas grandes cidades. De facto, temos, urgentemente, de encontrar soluções para evitar os gigantescos congestionamentos de trânsito e consequentes emissões. Os meios de transporte unipessoal, como as trotinetas e as bicicletas, fazem todo o sentido para o “last mile”, ou seja, para complementar outros meios, como os transportes púbicos ou mesmo os automóveis. O que não faz sentido é os centros das cidades serem invadidos por intermináveis filas de carros que transportam, na maioria, apenas uma pessoa. Para já não falar os problemas e custos relacionados com a manutenção das infraestruturas e problemas de estacionamento. Mas também não faz sentido deixar as trotinetas (ou bicicletas) espalhadas ao “ao deus-dará”, caídas em passeios já muitas vezes estreitos e carregados de outros obstáculos. Ou deixá-las circular em passeios, pondo em risco os peões, que são sempre o "elo mais fraco", ou nas estradas, onde estão expostas aos carros.

A grande vantagem da chegada das redes de partilha de veículos unipessoais acaba por ser esta discussão, que leva o tema para a ordem do dia e acaba por pressionar governos e, sobretudo, municípios a desenvolver soluções para a coabitação entre peões, veículos de transporte unipessoal ecológicos e automóveis. E, não menos importante, como tudo isto se interliga com os transportes públicos. É necessário aumentar o número de ciclovias, para evitar o conflito deste tipo de transporte com os restantes. Neste aspeto, as autoridades, policiais e não só, devem fiscalizar a correta utilização destes meios, mas também ajudar na formação dos peões – basta passear em Lisboa para se perceber como as pessoas ainda usam as ciclovias como passeios. Finalmente, é importante usar a tecnologia para melhor gerir todos os meios envolvidos. O que significa que as diferentes plataformas devem de comunicar umas com as outras. Urge desenvolver autênticos “sistemas operativos” para a mobilidade urbana com protocolos abertos para que estas redes possam ser integradas na gestão das cidades.

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