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Quantos smarts cabem numa cidade?

Como disponibilizar aos utilizadores a informação obtida pelas cidades inteligentes sem os perigos de uma realidade multiplataforma em análise no artigo de opinião de Norberto Barrocas, da Bosch

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Norberto Barroca

Norberto Barroca

Diretor de Vendas em Portugal para a área de Building Technologies da Bosch

Num mundo em que as pessoas e a tecnologia se fundem com as cidades inteligentes, importa olhar para a gestão urbana como o meio de alcançar a excelência organizacional e operacional recorrendo a sensores e serviços. Dado que a tecnologia já existe, compete a cada um de nós implementar as melhores soluções e serviços que respondem verdadeiramente às necessidades dos cidadãos.

A verdade é que o termo “cidades inteligentes” é, nos dias que correm, muito mais que uma expressão “da moda”. Significa um novo paradigma, onde a cidade cria laços digitais com os seus habitantes, onde a tecnologia contribui para proporcionar um maior desenvolvimento económico e uma melhoria da qualidade de vida. O sucesso destas cidades está em usar a tecnologia em prol dos cidadãos. Ou seja, as smart cities devem estar desenhadas em redor do cidadão. É esse o papel da tecnologia nas cidades inteligentes.

Aumentar a eficiência dos serviços disponibilizados aos cidadãos, a satisfação dos cidadãos com esses serviços e a sua qualidade de vida depende da integração das mais avançadas tecnologias e ferramentas digitais, convertendo sistemas e dispositivos banais em instrumentos inteligentes.

Ao ritmo a que a tecnologia vai entrando nas nossas vidas e de forma tão subtil, falar em smart cities é já um hábito. Esta é também uma oportunidade única para a criação de um ecossistema tecnológico que responda verdadeiramente às necessidades da gestão urbana e dos cidadãos. Estudos recentes apontam para que o número total de sensores e dispositivos IoT (Internet of Things) conectados exceda os 50 mil milhões em 2020, tornando a nossa realidade cada vez mais smart.

Os recentes avanços tecnológicos, tais como as comunicações 5G, que permitirão velocidades de acesso à internet móvel até 10 gigabit por segundo (Gbps); a condução autónoma, que possibilitará que todos os veículos comuniquem não só entre si, mas também com semáforos, passadeiras inteligentes e peões; além de um infindável número de câmaras de videovigilância, que já se encontram instaladas nas cidades e possibilitam a recolha de dados e eventos em tempo real, serão a base para uma gestão urbana inteligente e, ao mesmo tempo, eficiente.

As futuras soluções tecnológicas para gestão urbana introduzem assim um novo paradigma: “como tornar esta informação disponível aos utilizadores sem os perigos de uma realidade multiplataforma?”. É importante sensibilizar todas as empresas de IoT para a criação de soluções agnósticas ao hardware para que seja possível partilhar os recursos de forma eficiente. A necessidade de uma IoT Suite apresenta-se desta forma como a única solução possível para a partilha de centenas zettabytes de informação. Fica claro que, sem um verdadeiro ecossistema comum a todos os fabricantes, a inovação será afetada de forma negativa.

A criação da aliança The Open Security & Safety Alliance (OSSA) veio permitir dar os primeiros passos para a massificação de soluções de segurança de IoT que serão aplicadas a novos produtos e serviços para as smart cities. Esta iniciativa da indústria de segurança vai criar as fundações para que a futura infraestrutura responsável pela partilha seja segura e garanta a privacidade de dados, permitindo que os fabricantes se concentrem nos aspetos que realmente agregam valor adicional aos seus produtos e serviços.

Quando se fala de gestão e segurança urbana, importa identificar quais os sensores que temos à disposição e de que forma os mesmos podem ser integrados nas soluções de IoT atuais, com vista à melhoria da qualidade de vida das pessoas. Nos dias que correm, um dos recursos mais importantes na gestão urbana é a utilização de câmaras de videovigilância IP. De entre um sem número de aplicações destaca-se, por exemplo, a utilização de câmaras inteligentes instaladas junto das passadeiras de peões que, recorrendo à analítica de vídeo, fazem atuar um sinal luminoso responsável por alertar os condutores quando estes se aproximam das mesmas.

As empresas acabam por facilmente perceber a potencialidade das ferramentas pré-existentes, modificando-lhes apenas alguns detalhes. Nesse sentido, a startup Security and Safety Things (SAST) deu o primeiro passo para a criação de um sistema operativo que permite a massificação de serviços recorrendo a câmaras IP. Através de uma App Store, um município pode carregar aplicações nas câmaras IP e ter acesso a um conjunto infinito de soluções, tais como: gestão inteligente de parqueamento, gestão de resíduos urbanos e contagem de pessoas e veículos. O investimento inicial em câmaras com funcionalidades regulares, mas com capacidades inexploradas permite potenciar o verdadeiro sentido da palavra smart. Um objeto normal, integrado e aceite pela maioria das pessoas no seu dia-à-dia, converte facilmente uma cidade normal num centro “polvilhado” de dispositivos capazes de fornecer informação pertinente para a uma melhor gestão e consequente maior eficiência. Olhando para os céus das nossas cidades, nos dias que correm e contando o número de câmaras que todos os dias registam milhares de dados, vamos perceber que lá cabem mais smarts do que alguma vez imaginamos que seria possível.

O futuro está sem dúvida no mundo conectado, na Internet das Coisas (IoT), e as cidades são o melhor exemplo dessa realidade.

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