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A tecnologia no mundo do imobiliário

Como a evolução tecnológica em curso está a impactar a mediação imobiliária e a trazer vantagens para todos os intervenientes. A opinião de Alfredo Valente, diretor-geral da IAD Portugal

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Alfredo Valente

Alfredo Valente

Diretor-geral da IAD Portugal

A relação entre a evolução tecnológica e a mediação imobiliária é frequentemente discutida em dois campos diferentes. De um lado, mais radical, especula-se sobre o fim da mediação imobiliária tal como a conhecemos com a chegada de soluções tecnológicas mais eficientes, rápidas e seguras. É o caso de termos como I-Buying ou Blockchain, por exemplo.

Muitos chamar-lhe-ão inocência, mas se há característica verdadeiramente marcante da mediação imobiliária é que se trata fundamentalmente de relacionar pessoas. Inevitavelmente um comprador e um vendedor (ou um senhorio e um inquilino) e muito frequentemente um ou mais consultores imobiliários. E, ainda que imperfeita por natureza, dificilmente será substituída por máquinas, algoritmos, tecnologias.

Do lado mais conservador, chamemos-lhe assim, desta discussão, debate-se sobretudo a forma como a evolução tecnológica impacta a experiência de cada um dos intervenientes, as suas expectativas e as suas práticas. E se o anunciado fim da mediação imobiliária é francamente especulativo, a revolução tecnológica é uma realidade.

A face mais visível para o mercado em geral será, porventura, tudo o que toca as ferramentas promocionais com claro benefício quer para clientes vendedores quer para compradores. Falamos aqui de ferramentas como as fotografias aéreas com recurso a drones, fotografias 360° ou visitas virtuais, hoje em dia já francamente “democratizadas” e fundamentais na apresentação do produto.

Menos visíveis para o comum dos cidadãos, mas com forte impacto da promoção do produto, convém não ignorar a silenciosa revolução por detrás dos complexos algoritmos dos portais de anúncios imobiliários, cada vez mais sofisticados na procura de colocar à frente do potencial comprador exatamente aquilo que lhe pode interessar. Ou exatamente aquilo que o portal quer que veja?…

A crescente sofisticação das ferramentas de promoção do produto imobiliário tem como consequência direta para os intervenientes a fortíssima diminuição do número de visitas. De facto, é hoje possível “conhecer” um imóvel sem o visitar, dispensando assim um sem-número de visitas infrutíferas. Este fator é particularmente importante em mercados como o português, com forte peso de investimento estrangeiro, já que agiliza enormemente o processo de compra à distância.

É forte o impacto da tecnologia quer para o cliente vendedor, quer para o comprador. Cremos, no entanto, que quem mais beneficia das evoluções tecnológicas é o profissional da mediação imobiliária. Todo este processo tende à desmaterialização do negócio, pondo mesmo em causa o racional da clássica agência imobiliária física, sem a qual o custo da operação é claramente reduzido, beneficiando a conta de exploração da mediação imobiliária e permitindo reduzir, dessa forma, o custo do serviço prestado ao cliente.

Veja-se o caso da formação, por exemplo, com o impacto dos programas de e-learning, ou da prospeção, com a chegada das plataformas agregadoras. Até há muito pouco tempo, a prospeção de clientes vendedores resumia-se basicamente ao chamado “porta a porta” demorado, consumidor de tempo comercial e caro, já que implica quase sempre um suporte físico (flyer). Acima de tudo, com reduzida eficiência. Com a chegada ao mercado das plataformas agregadoras, o consultor imobiliário consegue efetuar o seu trabalho de prospeção com recurso a um único suporte informático, que lhe mostra em tempo real os imóveis que são colocados no mercado pelos particulares.

Ainda dentro do mesmo tipo de tecnologias, os instrumentos de estimação de valor com base em estatísticas de mercado permitem ao consultor, incluindo ao iniciado, aconselhar o seu cliente, com elevado grau de precisão e confiança, em relação ao preço de colocação do imóvel à venda. Não substitui, claro está, o conhecimento do mercado e da zona, mas, isso sim, confere credibilidade adicional ao trabalho do consultor.

Os novos recursos tecnológicos ao dispor da mediação imobiliária complementam os cada vez mais sofisticados sistemas de CRM, cada vez mais amigos dos profissionais, mas também dos clientes. A mediação imobiliária é, de facto, um setor em franca evolução tecnológica sendo de esperar que o ritmo de inovação continue a acelerar, criando cada vez mais e melhores desafios aos profissionais que operam no ramo.

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