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Um Surface com Android? O Inferno vai gelar

A abertura da Microsoft e da Sony à colaboração com novos parceiros em análise num artigo de opinião de Paulo Matos

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Paulo Matos

Paulo Matos

Jornalista

Alguém faça uma chamada de Skype com o Hitler para confirmar se o Inferno gelou mesmo, porque numa só semana a Microsoft anunciou um smartphone com Android e lançou um Surface com AMD Ryzen, enquanto a Sony passou a incentivar os programadores a criarem títulos PlayStation que possam ser jogados em múltiplas plataformas. Foi como se Microsoft e Sony tivessem ido a um casamento e no final do copo de água, já ébrios, balbuciassem despiques.

– “Sabes o que é que tinha piada? Era esquecermos que saímos oficialmente do mercado dos smartphones há dois anos e lançarmos um terminal novo… ‘Fuck it’, vai ser com Android e tudo!”, provoca a Microsoft.

– “Ai é?! Então vou mandar a minha política às malvas e promover o cross-platform… Toma!”, responde a Sony.

– “Pff, menino… Aqui o garanhão vai meter gelo na longa relação que mantém com a Intel e piscar o olho à AMD para apimentar a coisa e mostrar quem manda...”, ouve-se algures em Redmond.

De facto, desde que Satya Nadella assumiu o cargo de CEO da Microsoft em 2014 que a promessa de maior abertura da empresa a outros ecossistemas tem vindo a ser cumprida. Um bom exemplo tem sido a otimização de ferramentas de software para ambiente MacOS. Mas o anúncio de um regresso aos smartphones com sistema operativo da Google causa-me estranheza enquanto utilizador. E não o digo com escárnio, pelo contrário. Tenho os Windows Phone em boa consideração e conheço várias pessoas ligadas à tecnologia que renunciaram relutantemente aos seus Lumia. E não deveria haver melhor elogio que esse. O grande problema nunca foi a qualidade dos smartphones ou até o sistema operativo em si, na minha opinião. Mas ir à loja do Windows Phone e não encontrar listadas apps oficiais da própria Microsoft era bizarro. Depois do insucesso que foi o negócio da compra da Nokia, a empresa de Nadella parecia ter-se fartado e chutado para canto os telemóveis. Será que o hardware do Surface Duo, com os seus dois ecrãs, vai trazer a Microsoft para a ribalta de um mercado tão competitivo? O meu lado pessimista avisa o Nadella que “Winter is coming”…

Mas o evento que a companhia fundada por Bill Gates realizou a semana passada confirmou mais algumas suspeitas que já pairavam no ar. Uma delas, de somenos importância, é a de que a Microsoft precisa de aprender com a Apple a fazer apresentações: palcos pequenos, com fundos pretos, discursos monocórdicos e 45 minutos iniciais sem novidades de peso são de levar ao desespero até um fã de tecnologia. Eu até tentei ouvir a apresentação, mas entre o pouco apelo visual, a falta de interesse das primeiras apresentações e as quebras no streaming, acabei por ir à minha vida e pensar que tinha saudades de ver Steve Ballmer em palco (como recordar é viver, aqui fica o highlight clássico).

Mais importante foi constatar que a parceria entre Microsoft e Intel, batizada de Wintel e originária na década de 80 do século passado, já viveu dias melhores. A possibilidade de se poder vir a adquirir um Surface com um processador Ryzen da AMD é um sinal interessante para o mercado e para os consumidores, mostrando que também no mundo dos CPUs há concorrência capaz. Intel, cuidado, disseram-me que “Winter is coming”…

Já a PlayStation apresentava-se como a última resistente ao cross-platform, mas acabou (finalmente!) por ceder. É bom ver que a pressão dos utilizadores e o sucesso de títulos como Fortnite têm um impacto real na mudança da política das empresas. É certo que a Sony deixou cair a revelação de que todos os programadores vão poder tirar partido do ambiente cross-platform na PlayStation 4 quase como uma nota de rodapé, mas o que importa é que vai ser cada vez mais comum encontrar jogadores de PS4 a enfrentar amigos com outras consolas no mesmo jogo. Foi como se a empresa se tivesse precavido ao ouvir alguém gritar “Winter is coming”… Eu também passei meses a ouvir essa expressão, mas não lhe prestava grande atenção porque a que acabava por reter sempre era “You know nothing, Paulo Matos”.

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