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O drive tecnológico na saúde

Crédito: Luis Alvarez / Getty Images

«O drive tecnológico vai criar a oportunidade para usar os dados clínicos de maneiras cada vez mais sofisticadas que permitam melhorar os cuidados de saúde». A opinião de Ana Rafaela Prado

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Ana Rafaela Prado

Ana Rafaela Prado

Diretora de informação clínica da Lusíadas Saúde

A tendência para digitalizar os cuidados de saúde já existe há mais de 10 anos – desde que se começaram a utilizar os processos clínicos eletrónicos. Hoje em dia, os prestadores de serviço estão à procura de alcançar resultados mensuráveis com os sistemas que têm. Verificamos uma tendência impressionante de crescimento e investimento neste setor: o mercado de Healthcare IT espera-se que seja de 390,7 mil milhões de dólares (aproximadamente 350 mil milhões de euros) em 2024 e cresce a uma velocidade maior do que o PIB da maioria dos países. Embora os sistemas de saúde sejam altamente complexos e algo resistentes a mudanças em grande escala, eles são suscetíveis ao efeito borboleta, sendo que inputs pequenos têm efeitos dramáticos. Embora haja muitas opiniões sobre o drive tecnológico na saúde, prevê-se que as tendências a curto-médio prazo sejam as seguintes:

1- Usar a tecnologia para incluir o doente e o papel que tem no seu próprio outcome de saúde. Os prestadores de cuidados de saúde continuarão a “beber” da experiência do próprio utilizador e investir em sistemas como apps, portais e monitorização à distância.

2- Para além da inovação contínua da tecnologia na saúde, todos continuamos a desejar outcomes mensuráveis, quer sejam clínicos ou económicos. Já vemos grandes empresas tecnológicas como a Apple, por exemplo, a utilizar esta tecnologia para desenvolver a maneira como interagimos com os doentes, reinventando, desta forma, a maneira de prestar cuidados de saúde.

3- Aplicação de inteligência artificial, machine learning, data mining e natural language processing aos vários tipos de registos clínicos eletrónicos ajudando com suporte à decisão, reduzindo o risco financeiro e melhorando a saúde populacional.

4- O drive tecnológico vai criar a oportunidade para usar os dados clínicos de maneiras cada vez mais sofisticadas que permitam melhorar os cuidados de saúde, as parcerias privadas, a vontade de integrar dados de diferentes plataformas, instituições, nacionais e internacionais, para criar novas colaborações, também vão estimular o uso de analíticos preditivos para se conseguir identificar os doentes de alto risco e orientá-los em conformidade.

5- Verifica-se um aumento da necessidade de otimizar a interoperabilidade para prestar value-based healthcare, o que não tem acontecido no passado.

6- Otimização dos registos clínicos para que a tecnologia possa ser mais interativa e possa ir cada vez mais ao encontro das necessidades dos clínicos, o que, seguramente, terá um grande impacto na maneira como atendemos os doentes, nos modelos de pagamento e muitas outras áreas da saúde. Finalmente, teremos as ferramentas para que possamos analisar a enorme quantidade de dados não estruturados, que contêm informação por vezes mais completa e valiosa. Também o impacto negativo e desgaste que alguns processos clínicos eletrónicos provocam nos médicos vão criar a necessidade de melhorar a interface com o utilizador nestes sistemas.

7- Segurança na informação: à medida que a ameaça e o perigo aumentam, as instituições estão a investir cada vez mais na cibersegurança.

8- Aumento do recurso e da influência da cloud: quer os doentes, quer os prestadores têm melhor acesso aos registos através das soluções baseadas na cloud e tornam o processo de consulta mais conveniente e prático. No entanto, estas aplicações colocam grande pressão nos sistemas de mensagem, na vontade de ter ligações rápidas, seguras e estáveis (por exemplo, consultas por vídeo), para não falar no cumprimento das leis de proteção de dados.

9- Aumento do ambiente virtual: a medicina à distância crescerá com o objetivo de tentar reduzir os custos evitáveis dos cuidados agudos dos serviços de urgência, fornecendo serviços que permitam otimizar a saúde ou a monitorização dos doentes crónicos, não esquecendo a educação da população de forma contínua. Combinando o desenvolvimento da internet of things com a telemedicina e tecnologias da saúde, emergiu a Internet of Medical Things (wearables, etc.). Esta tendência já permite melhorias desde a experiência do próprio doente à redução de custos. Não obstante, a interoperabilidade e segurança nesta área têm que melhorar. De mencionar ainda as capacidades que já temos de realidade virtual que permite não só educar cirurgiões, por exemplo, como treiná-los e programar cirurgias. Também do ponto de vista dos doentes, expô-los a ambientes virtuais pode ser facilitador de um plano de recuperação mais personalizado como por exemplo nos doentes pós-AVC ou demência que necessitam de um plano de terapia e integração que possa ser customizado às suas necessidades.

10- Blockchain: esta tecnologia vai permitir a partilha de dados num sistema peer-to-peer de forma mais segura, colocando o doente no centro dos cuidados; à medida que a transformação digital avança, esta combinação de segurança, portabilidade e fácil acessibilidade vai ser crucial para uma série de outras tendências tecnológicas como IoMT e cloud based hosting. A interoperabilidade vai aumentar com a chegada do blockchain nos cuidados de saúde.

11- Impressão em 3D: utilizada para produzir objetos físicos de ficheiros digitais. Isto permite-nos uma visualização e programação de cuidados mais precisa e adequada, por exemplo no desenvolvimento de próteses, engenharia de tecidos e desenvolvimento de ferramentas para cirurgias.

A um nível mais nacional, acredita-se que todas as empresas de cuidados de saúde têm planos para introduzir ou optimizar tecnologia em 2020: o grupo Lusíadas Saúde não é excepção. Faz parte da nossa estratégia, tendo em conta o nosso perfil e as nossas capacidades, mantermo-nos na crista da onda no que concerne a tecnologia. Não só lutamos de forma contínua para melhorar as condições para os nossos prestadores, mas, sobretudo, para os nossos doentes: isto passa por uma priorização da utilização e introdução de tecnologia nas áreas mais deficitárias e de alto risco e onde o impacto desta tecnologia será maior. Esperamos introduzir tecnologia não só para estarmos a par dos sistemas mais seguros e com maior qualidade no mundo, mas para que ter acesso a dados que possamos utilizar numa perspectiva e filosofia de melhoria contínua e excelência de cuidados. Mal posso esperar para ver o que os próximos anos trazem à Lusiadas Saúde em termos de trend e desenvolvimento tecnológico: quiçá poderemos ter a ajuda da nossa mothership, o UnitedHealth Group, bem como da Optum, para caminhar cada vez mais neste sentido.

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