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Setor Automóvel: deterioração do risco de crédito para os próximos 5 anos

«Num contexto de incerteza quanto às tecnologias a prevalecer no futuro da mobilidade, o setor automóvel vê-se confrontado com a necessidade de grandes investimentos para fazer frente às alterações nas condições de mercado» – a opinião de Paulo Morais, Diretor da Crédito y Caución para Portugal e Brasil

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Paulo Morais

Paulo Morais

Diretor da Crédito y Caución, Portugal e Brasil

A queda global de vendas e os importantes desafios estruturais que o setor automóvel enfrenta fazem-nos antever um cenário de deterioração do risco de crédito para os próximos cinco anos. A mais recente análise setorial desenvolvida pela Crédito y Caución aponta para um incremento nos atrasos e incumprimentos, independentemente da reversão de políticas protecionistas e de limitação ao livre comércio.

A reorganização do setor e a evolução dos hábitos de consumo podem levar a uma grave deterioração da situação financeira de todas as empresas ao longo da cadeia de valor, incluindo os fabricantes de peças originais. Os mais afetados são os fornecedores estruturalmente mais débeis e os que forneçam componentes de menor valor para um único fabricante.

De acordo com as previsões contidas no relatório, as vendas mundiais de veículos vão baixar 5% em 2019. Isto representa um grande desafio para a maioria dos pequenos e médios fornecedores já fortemente afetados pela deterioração das vendas e redução das margens. O incremento das tensões de liquidez conduzirá ao aumento dos atrasos, incumprimentos e insolvências. O estudo indica que os níveis de incumprimento e insolvência estão já a aumentar entre os fornecedores de componentes de baixo valor acrescentado e para um único fabricante.

A deterioração do risco de crédito do setor transcende a efetiva imposição de tarifas punitivas a veículos e peças por parte dos EUA e acontecerá mesmo que haja um retrocesso nas políticas protecionistas.

Num contexto de incerteza quanto às tecnologias a prevalecer no futuro da mobilidade, o setor automóvel vê-se confrontado com a necessidade de grandes investimentos para fazer frente às alterações nas condições de mercado. Só no segmento de veículos elétricos, o investimento ascenderá a 300 mil milhões de dólares nos próximos anos.

Inovações como a condução autónoma ou a relativa simplicidade dos motores elétricos, que utilizam muito menos peças que os de combustão, estão a atrair players externos fortemente capitalizados e com vantagens tecnológicas que empurram o setor para uma reestruturação na sua cadeia de valor.

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