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Guia de sobrevivência para o Facebook

CHRISTOPHE SIMON / Getty Images

O acesso ilegítimo a dados do Facebook está na ordem do dia, mas há formas de minimizar este problema e garantir maior controlo sobre as informações pessoais

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Paulo Matos

Paulo Matos

Jornalista

Em junho do ano passado, o Facebook ultrapassou a barreira dos 2 mil milhões de utilizadores mensais. O número, só por si, impressiona e deve servir para alertar para o poder de uma empresa que consegue ter informações pessoais sobre tanta gente. A isto junta-se o facto de a Facebook ser igualmente a proprietária de três apps extremamente populares: WhatsApp, que tem cerca de 1,2 mil milhões de utilizadores mensais; Instagram, com 700 milhões; e Messenger, com 1,2 mil milhões. E estamos a falar de uma companhia cuja principal fonte de receita é a venda de publicidade. Isto é, quanto mais souber sobre os utilizadores, melhor consegue fornecer anúncios personalizados, o que é música para os ouvidos dos anunciantes.

Portanto, não se admire quando receber no seu feed de notícias anúncios a produtos específicos que esteve a procurar recentemente online. É que, partindo dos dados do utilizador, o Facebook analisa mais de 90 parâmetros diferentes para os anunciantes – alguns exemplos: idade, género, localidade, língua, nível de escolaridade, aniversários, emprego, relações, laços familiares, tendências políticas, deslocações, veículos, créditos, restaurantes, lojas, apetência por jogos, preferência de sistema operativo, browser e email… Claro que não são precisos algoritmos para obter algumas destas informações, muitas são fornecidas pelas próprias pessoas no momento do registo de um novo perfil. A isto juntam-se igualmente os dados obtidos através do rastreio da atividade, ou seja, o que gostou, comentou ou partilhou na rede social.

Se quiser ver de que forma o Facebook segmenta o seu perfil tendo em conta o que sabe sobre si, digite facebook.com/ads/preferences/?entry_product=ad_settings_screen. Se não quiser escrever, pode entrar na sua página de Facebook, ir a Definições e clicar na opção Anúncios, que surge no lado esquerdo do menu. Aqui pode consultar os dados recolhidos sobre Interesses, Informações, Anunciantes com quem se interagiu e Definições de Publicidade.

A secção Os teus interesses será, à partida, aquela que lhe despertará maior interesse, pois permite ter noção do que o Facebook sabe sobre os seus gostos e preferências. A área está dividida em múltiplas temáticas – empresas e indústrias, tecnologia, notícias e entretenimento, pessoas, hobbies e atividades, comida e bebida, compras e moda, família e relacionamentos, estilo de vida e cultura, etc. – e os resultados podem surpreendê-lo. No nosso caso, algumas das opções identificadas estavam claramente erradas. Se também lhe acontecer isso, pode, simplesmente, eliminar as preferências que desejar. Para tal, selecione o tópico e o tema que não quer e carregue em X.

De seguida, espreite a secção As tuas informações. No separador Sobre ti, se assim o entender, desative as opções Estado civil, Empregador, Cargo e Formação como campos que podem servir de base para receber anúncios direcionados. Depois passe para o separador As tuas categorias. É aqui que encontrará alguns detalhes específicos do que o Facebook sabe sobre si. No nosso caso, alguns exemplos concretos são o facto de saber a marca do smartphone que utilizamos, o facto de termos regressado de viagem há duas semanas e de viajarmos para o estrangeiro com frequência. Se quiser, tem a possibilidade de eliminar os parâmetros que entender, basta carregar no X que surge à frente de cada opção.

Para terminar esta área, falta apenas a análise das Definições de publicidade, que lhe permite desativar a opção de ver anúncios com base nos sites e nas apps que usas e anúncios em apps e sites fora das empresas do Facebook. Contudo, há que fazer a ressalva que, se desativar a publicidade baseada nos seus interesses online, vai continuar a ver o mesmo número de anúncios, a diferença é que estes podem ser potencialmente menos relevantes para si.

Controlar o apetite de apps gananciosas

O perfil do Facebook também é muito utilizado como forma de login noutras apps. Isto quer dizer que essas aplicações passam a ter acesso a alguns dos seus dados de Facebook. Lembre-se disso sempre que estiver a instalar uma app nova e usar o seu perfil para se registar como novo utilizador, pois nessa altura é possível editar as permissões que vai conceder – na maioria dos casos, as essenciais para que a app funcione são o endereço de email que tem associado à conta de Facebook e as informações públicas presentes no seu perfil da rede social. De resto, se não é fulcral dar acesso à lista de amigos, edite as opções de forma a assegurar que não o faz.

Com o tempo, é natural que até se acabe por esquecer em quantas apps está a usar o seu perfil de Facebook como login. Para ver esses dados, aceda a Definições na rede social e, no menu do lado esquerdo, selecione Apps. Terá acesso a uma lista e junto a cada ícone da app aparece a informação de quem consegue ver que está a utilizar a dita aplicação (Apenas eu, amigos, família, etc.). É possível modificar esse parâmetro ao clicar na opção Editar definições, sendo que também pode alterar a informação que fornece à app e se quer que ela lhe envie notificações. Se quiser ser mais radical – até porque é provável que já nem tenha algumas destas apps instaladas –, pode escolher simplesmente Eliminar. O processo é tão simples como carregar no X e confirmar a opção.

Fazer uma cópia dos dados

Temos o hábito de recomendar que faça backups de segurança regulares para garantir que tem os seus dados salvaguardados em caso de acontecer alguma espécie de desastre. Mas pode fazer-se o mesmo com as informações do Facebook? Sim, pode! Vá a Definições. Vai reparar que entra logo no menu Geral (se, por alguma razão, isso não acontecer, é o primeiro item que está disponível no lado esquerdo) e uma das opções que surge no final das Definições gerais de conta é Descarrega uma cópia dos teus dados do Facebook.

Depois de carregar nesta opção, vai ter de confirmar a sua palavra-passe para iniciar o processo, sendo que, no final, será enviado um email para a conta que está associada ao perfil a avisar que está pronto para ser descarregado. No nosso caso, também apareceu uma notificação no feed do Facebook após escassos minutos. E o que é que está incluído nesta cópia? Praticamente tudo! Isto é, as informações disponibilizadas na conta e no registo de atividade, onde se incluem os dados da cronologia, publicações partilhadas, mensagens, fotos, vídeos, contactos, etc. Mas vai mais longe, já que inclui informações que não estão disponíveis quando se faz um login. Alguns exemplos são os anúncios em que se clicou ou os endereços de IP de quando se inicia ou termina uma sessão.

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