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BoomApp: o Shazam do vídeo nasceu em Portugal

Hoje, quase não há booms; mas em breve, quase tudo poderá dar um boom. Quem não sabe o que é um boom tem aqui uma oportunidade para descobrir como uma app pode dar interatividade a qualquer imagem captada por uma câmara.

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Hugo Séneca

João Maia Jorge, um dos fundadores da BoomApp, não demora mais de um minuto a explicar como pretende tornar o mundo boomificável. Pega no telemóvel aponta para uma capa de um livro, tira a foto, descarrega-a através da app que criou para os servidores que estão na cloud, e depois acrescenta a informação que pretende associar àquela imagem de quatro pessoas a saltar; para não complicar a demonstração associa apenas uma palavra à imagem de capa: «espetacular».

O boom fica assim criado, mas ainda falta o passo final para que possa ser desfrutado: passados segundos, quem tiver a mesma app e tirar uma foto àquela capa de livro (ou a qualquer imagem igual à que se encontra nessa capa do livro) será remetido para o boom criado em meio minuto a título de exemplo. Neste caso de demonstração, o utilizador apenas poderá ver a imagem e a palavra «espetacular», mas João Maia Jorge poderia ter associado à imagem links, outras imagens, vídeos, ficheiros ou até motores de busca que ajudam a pesquisar informação em repositórios relacionados com o assunto/imagem que foi boomificado. E mais: a BoomApp também pode fazer o mesmo com vídeos.

Quem duvida do potencial pode conferir através da versão de testes da app que já está disponível para iPhones e iPads (ainda esta semana deverá ficar disponível a versão de testes para Android). Descarregada a app, qualquer pessoa pode criar booms, ou se preferir poupar algum trabalho, experimentar o que acontece com as imagens que foram incorporadas nesta página e que remetem para booms criados pelos responsáveis da startup portuguesa.

Depois da demonstração, João Maia Jorge revela o segredo que faz a diferença nesta app: «os booms são criados através de uma tecnologia que permite fazer o reconhecimento de algumas fingerprints de imagens. Quando um utilizador tira uma foto ou faz um vídeo, a BoomApp faz a identificação de fingerprints e verifica se coincidem com fotos ou vídeos que alguém já transformou em booms».

A BoomApp funciona com fotos e vídeos de pessoas, animais e objetos, mas também está apta a reconhecer imagens captadas a partir de ecrãs de tablets, computadores, televisores, ou apenas imagens impressas. «Funciona até com imagens manhosas», acrescenta, com um sorriso, João Maia Jorge numa alusão aos vídeos e fotos captados com condições técnicas abaixo do desejável.

A BoomApp já definiu as fronteiras da ambição: na próxima semana, será feito o lançamento oficial na Web Summit, de Dublin. O lema oficial é: «make the world clickable (torna o mundo clicável)», mas o lema oficioso é um pouco diferente: «somos o Shazam do vídeo. Mas com uma diferença: no Shazam as pessoas apenas podem pesquisar músicas que o serviço colocou no repositório. Na BoomApp, qualquer pessoa pode juntar imagens ao repositório de booms que outras pessoas poderão pesquisar».

As funcionalidades possíveís neste mundo boomificável são inúmeras: partilha de apresentações ou ficheiros disponibilizados em conferências, concertos ou eventos desportivos; brincadeiras entre amigos e situações caricatas; sebentas e materiais didáticos; mostras de arte ou vídeo; e publicidade – muita publicidade, ou não fosse a BoomApp uma spinoff da AdFamilies, uma outra marca criada por João Maia Jorge e Nuno Moutinho, que se distingue por premiar internautas que veem anúncios na Internet.

A primeira prova de fogo da BoomApp deverá ocorrer em breve com o lançamento de uma campanha publicitária no setor automóvel. O licenciamento da tecnologia para outras marcas não impede a startup de disponibilizar a app livremente para todas as pessoas. O que abre caminho à duplicação de booms sobre o mesmo assunto e, com algum grau de probabilidade, casos de bullying, de assédio, ou abuso de bom nome ou marca. João Maia Jorge recorda que todas essas situações já acontecem igualmente nas maiores redes sociais - e não impediram que milhares de milhões de pessoas continuassem a usá-las. «De qualquer forma, vamos ter uma ferramenta de denúncia que permitirá remover estes casos de abuso», responde o líder da BoomApp.

Garantido o investimento da Portugal Ventures, os criadores da BoomApp mantêm a atenção desperta para o que se passa do outro lado do Atlântico. Em setembro, uma estada de 10 dias em Silicon Valley, abriu portas a reuniões com a Facebook, ComCast, Verizon, entre outras marcas tecnológicas sonantes. «Essas empresas mostraram-se interessadas, mas também nos aconselharam a desenvolver soluções que sirvam de exemplo no nosso mercado de origem, antes de irmos para os EUA» refere o responsável da BoomApp.

Com sete engenheiros a trabalhar na ferramenta inicialmente criada com o propósito de poder dar interatividade a múpis publicitários e imagens de televisão, a nova startup já tem a agenda preenchida para os próximos tempos: angariar o utilizadores individuais e disponibilizar tecnologias para campanhas publicitárias até ao final do primeiro trimestre de 2016. Só depois de concluir esse primeiro desafio chegará a hora de reservar os bilhetes de avião para São Francisco, Califórnia.

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