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A tecnologia pode salvar o mundo. E Donald Trump?

Serão as redes sociais são uma ameaça à democracia? Poderá a liberdade de um post pôr em causa toda a liberdade de um país? E o advogado de Julian Assange o que tem a dizer de Donald Trump?

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As eleições nos EUA ainda não chegaram à hora de fecho, mas Ann Mettler já tem uma projeção para fazer. E não é muito abonatória para os média mais famosos americanos: «Donald Trump teve direito a uma exposição mediática equivalente de dois mil milhões de dólares, só porque os média seguiam-no por saber que ele acabava sempre por dizer coisas escabrosas», denunciou esta manhã na Web Summit a líder do Centro Europeu de Estratégia Política, que opera como um grupo de pensadores da Comissão Europeia.

Na fila dianteira, que está reservada aos jornalistas que assistia à conferência do palco principal não terão faltado risos declarados, sorrisos amarelos, e eventualmente “orelhas a arder”, mas a alfinetada nos média tradicionais corresponde apenas a metade da mensagem que a perita da Comissão Europeia queria fazer passar no maior evento de empreendedorismo e startups da Europa. A outra metade tem por alvo os internautas que ocupam os dias de post em post: «Sem as redes sociais, Donald Trump nunca teria sido escolhido como candidato do Partido Republicano à presidência dos EUA».

Numa palestra que tinha por tema “Estará a Internet a matar a democracia?», a constatação de que Trump nunca teria conseguido ter aspirações a presidente dos EUA pode ser encarada como um exemplo de deriva populista – e, apesar de não hostilizar o candidato Republicano, Mettler dá largas à ideia mais ou menos comum entre os europeus que olham para a súbita trumpmania com receio.

Afinal, o poder de expressão e publicação de ideias e ideais que a Internet exponenciounão estará a tornar-se uma ameaça para a democracia? Ann Mettler aponta para uma mudança na forma de estar dos cidadãos: «Dantes quando alguém não gostava do que um média publicava, tinha de escrever para o editor. E estava identificado, conhecia-se a morada. Agora, as pessoas publicam as coisas mais escabrosas sem terem de se identificar».

Antes de Ann Mettler já Juan Branco havia discursado num palco secundário da Web Summit. E por mais de uma vez se deparou com a questão: a Wikileaks não estará a favorecer a candidatura de Trump com a publicação de e-mails embaraçosos para Hillary Clinton e o Partido Democrata a poucos dias das eleições nos EUA? Juan Branco, conselheiro da equipa de advogados que defende Julian Assange, fez questão de negar qualquer intenção de favorecer a candidatura de Trump – mesmo que, indiretamente, possa ter causado um impacto negativo para Hillary Clinton na opinião pública norte-americana. E confirmou que o Wikileaks também recebeu informação sobre Donald Trump. Só que essas informação «ainda está a ser tratada ou não tem interesse».

Sem a Internet não seria possível Wikileaks – e sem Internet não seria possível aceder a alguns dos segredos de mais bem guardados nos arquivos de estado e das empresas. Juan Branco não vê qualquer conflito legal na «divulgação de assuntos de interesse público», mesmo quando são podem ser revelados depois de um ataque de hacktivistas. «O New York Times também faz revelações de interesse público que poderão ter sido apuradas por esses ataques; não é por isso que o New York Times deve ser responsável por esses ataques», defende o jovem causídico.

A Internet dá mas também tira. E foi devido a essa dupla funcionalidade, que Ann Mettler recordou os acordos que a Comissão Europeia assinou recentemente com vários gigantes das tecnologias com o propósito de limitar o raio de alcance das campanhas de divulgação e recrutamento do denominado Estado Islâmico (ISIS). «Hoje, quando alguém pesquisa por ISIS continua a encontrar os endereços promovidos pelo ISIS, mas também textos de contra-narrativa (que denunciam os crimes praticados pelo ISIS)».

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