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Web Summit: Como é que se para a proliferação das Fake News?

O que acontece quando se junta uma primeira-ministra, o administrador de um grupo de Media e a gestora de uma empresa de tecnologia… para discutir o combate às Fake News? Surge uma ideia comum: os produtores das plataformas de redes sociais são os principais responsáveis pela proliferação das notícias falsas.

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Em dia de eleições intercalares nos Estados Unidos, o palco central da Web Summit recebeu Ana Brnabic, primeira-ministra da Estónia, David Pemsel, CEO do The Guardian Media Group, e Mitchell Baker, executive chairwoman da Mozilla. O tema em discussão era o combate à proliferação das Fake News. Os intervenientes foram rápidos a identificar o principal culpado pelo atual problema na disseminação das notícias falsas: os produtores das plataformas de partilha. Ou seja, empresas como, por exemplo, a Facebook, a Twitter ou a WhatsApp. No entanto, combater a mentira não é um problema novo. «Vivemos no mundo dos factos alternativos e das Fake News. “Uma mentira percorre o mundo antes da verdade vestir as calças”, já dizia Churchill. Por isso, este tema não é novo. No entanto, hoje a verdade ainda nem acordou… e a mentira já deu a volta ao mundo”, realçou a primeira-ministra da Estónia.

«Bem, no tempo de Churchill não tínhamos as redes sociais ou a Inteligência Artificial que analisa padrões e consegue disseminar este conteúdo com os incríveis, e perigosos, níveis de eficácia atuais. Estando no terceiro maior grupo de comunicação em Inglaterra a nossa aposta para contrariar estas verdades alternativas passou pela aposta na qualidade dos conteúdos. Investimos muito em conseguir ter as histórias mais fundamentadas e sempre verificadas. E é necessário alertar para que os produtores destas aplicações (as que permitem a partilha rápida dos conteúdos) começam a perceber o poder que têm na promoção destas mentiras. No entanto, com todos os engenheiros e dinheiro que têm… é-me muito difícil perceber como é que não resolvem este tipo de problema», criticou o responsável executivo pelo The Guardian Media Group.

Para Mitchell Baker, da Mozilla, as plataformas não têm toda a responsabilidade na proliferação das Fake News: «É verdade que as plataformas têm de evoluir, mas também é verdade que tem de existir um maior envolvimento dos governos para que este desafio possa ser ultrapassado. Aliás, os próprios cidadãos têm de perceber que há momentos em que estão a ser manipulados e têm de acabar com esse comportamento (o de partilhar a mentira). Bem… ou isso ou as plataformas não podem permitir estas partilhas. Mas não podemos declinar a responsabilidade que os Media e os governos têm neste tema».

O tom mais crítico da Mozzila teve resposta imediata por parte do poder político presente no palco: «Temos de ter alguma sensibilidade nesta questão e não podemos criar demasiada regulação ou estaremos a condicionar este espaço virtual. Ou seja, a limitar a liberdade das pessoas que utilizam as aplicações e os serviços. O que temos de fazer é investir na Educação. Os jovens têm de ser ensinados a pensar – não o que devem pensar - mas como se pensa. O pensamento criativo, por exemplo, tem de ser muito estimulado. É que todo este tema da realidade alternativa está a desencorajar os mais jovens a entrarem na política e a preocuparem-se com o futuro das sociedades. E isso não pode acontecer», realçou a primeira-ministra da Estónia.

David Pemsel também acabou por retirar alguma pressão sobre os produtores das aplicações e serviços. «Não Podemos responsabilizar as plataformas por tudo. Há muitos países em processos de desfragmentação – veja-se o Brexit ou o que se passa em Itália. No entanto, e já que estamos aqui na Web Summit, seria importante ter toda esta inovação, empreendedorismo… direcionados para a resolução destes problemas, que são grandes desafios para as sociedades. E é importante que as empresas que produzem estas plataformas vejam além dos modelos de negócio muito bem-sucedidos que encontraram e criaram.»

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