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O estado da Tecnologia: “Estamos num momento de transição”

Sean Rad, responsável pelo Tinder, e Dick Costolo, ex-ceo da Twitter e investidor, subiram ao palco central da Web Summit para tomar o pulso ao mercado mundial da Tecnologia. Ambos concordaram que o momento não é de disrupção, mas de transição. E a audiência acabou por ter o privilégio de receber um conselho de dois reconhecidos empreendedores.

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O desafio era o de fazerem um ponto de situação do atual estado da Tecnologia. Para isso, a Web Summit convidou Sean Rad e Dick Costolo. Reconhecidos pela disrupção que trouxeram ao mercado seja pela forma como o Tinder contribuiu para mudar a forma como as pessoas se relacionam ou como o Twitter se transformou na maior ferramenta de amplificação de mensagens no mundo. E como é que está a Tecnologia hoje? «Estamos num momento de transição. As empresas estão a perceber que têm um papel a desempenhar na sociedade e na democracia… principalmente no contexto das comunidades que estamos a construir», referiu Dick Costolo. «Além disso, estamos, também, perante um período de aprendizagem. Estas plataformas (as de redes sociais) estão a dar voz às sociedades, a dar-lhes poder. E a ajudar as pessoas a encontrarem um sentido para as suas vidas», acrescentou o fundador da Tinder.

O tema da responsabilização que os produtores das plataformas digitais devem ter nos efeitos que provocam nas sociedades, o ex-CEO da Twitter referiu que a questão não é tão evidente como possa parecer a princípio: «O Twitter permite entrar em contato rapidamente e diretamente com as pessoas… e sem filtro. Com Trump, por exemplo, conseguimos perceber realmente o que ele é e as mensagens que deseja passar. E é muito bom poder ver como as pessoas são realmente. No entanto, não é responsabilidade da plataforma resolver os problemas das sociedades. Para isso, os governos e os legisladores têm de assumir os seus papéis»

A Facebook, por casos como o da Cambridge Analytica, foi tema de conversa. Será que esta rede social tem uma responsabilidade especial na sociedade? «Se tens uma audiência de mais de dois biliões de pessoas… ganhas uma grande responsabilidade. E a Facebook tem essa enorme responsabilidade. É preciso perceber, e lembro-me disso quando estava na Twitter, que os produtores das plataformas já sabiam há muito do potencial de algo como a intromissão nas eleições americanas seria provável. O risco para a Facebook é maior… porque eles são maiores.», explicou Dick Costolo. Para Sean Rad, casos como os que colocaram em causa a privacidade dos utilizadores do Facebook são dores de crescimento: «Não há um livro de regras para o Facebook ou qual é a melhor forma de esta rede operar na sociedade. É tão recente que temos de aprender com as coisas más que aconteceram… como a intromissão nas eleições americanas. Não vejo qualquer governo que tenha tanta responsabilidade perante tanta gente». E Dick Costolo acrescentou: «Temos de perceber que estas plataformas funcionam em vários países e acabam por não estar dentro das leis desses países. Por isso, podem surgir problemas locais que não são fáceis de resolver. No Twitter, por exemplo, chegámos a tirar imagens que iam contra os nossos princípios e depois encontrámo-las nas primeiras páginas dos jornais. Não faz sentido.»

A diversidade e a forma de atrair a geração Milénio também foram temas para esta conversa. E a forma como as empresas se organizam e comunicam internamente é crucial, como explicou o fundador da Tinder: «Para construir um bom produto para a comunidade, é necessário perceber essa comunidade. Um ambiente que respeite toda a diversidade levou-nos a apresentar a uma vasta equipa todas as novas funcionalidades que desenvolvíamos. E o feedback era dado diretamente a quem estava a desenvolver a função… até a mim, CEO.» Dick Costolo acrescentou que «este tema é importante na cultura das empresas: as melhores ideias podem vir de qualquer local da empresa. Por isso, é importante facilitar a comunicação na organização e a partilha do conhecimento».

O tema da comunicação dentro da empresa é importante para conquistar os mais jovens, explicou Sean Rad: «Não há outra hipótese: veja-se a geração milénio – têm um grande poder de poderem ser únicos, de experimentarem, de opinarem… se os queremos nas empresas… essa mentalidade tem de lá estar e estas pessoas têm de perceber que são ouvidas dentro da organização»

Ambos os convidados deixaram um conselho para quem está a começar e Dick Costolo foi o mais pragmático: «É sempre difícil. Independentemente da ideia ou da dimensão da equipa e do projeto. Há sempre erros que vão surgir e não há outra forma de o dizer: a vida para uma Startup não é fácil». Ideia partilhada por Sean Rad, «Vão surgir obstáculos. Não há empresas ou pessoas perfeitas. A diferença é como é que se vê o obstáculo: é um desafio ou uma derrota. Há coisas boas qu

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