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Os carros autónomos vão chegar primeiro às pistas que às estradas

Lucas Di Grassi, o CEO da Roborace, esteve na Web Summit para defender que a pista é o melhor ambiente para desenvolver a condução autónoma. O empreendedor, que também é piloto, considera que o desporto motorizado tradicional vai tornar-se irrelevante

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A Roborace já tem carros de corrida autónomos. E de alto desempenho. O Robocar tem quatro motores elétricos com um total de 1000 cavalos. Já fez várias corridas para demonstrar as capacidades de inteligência artificial, mas o objetivo da Roborace é realizar campeonatos. Eventualmente com mistura de carros autónomos com carros com condutores humanos.

Lucas Di Grassi admite que o carro robótico ainda não é tão rápido quanto os melhores pilotos, fazendo uma comparação com o xadrez: «Qualquer computador consegue ganhar-me ao xadrez, mas a IBM teve de desenvolver o Deep Blue para conseguir ganhar ao Kasparov. O nosso carro já é bem mais rápido que o condutor médio. No início era 25% mais lento do que eu, mas agora só já é 6% mais lento». Uma prova que os algoritmos que controlam o carro estão a melhorar.

O Roborace já esteve envolvido em acidentes, mas Lucas Di Grassi desvaloriza este acontecimentos «porque os acidentes fazem parte do processo de desenvolvimento, se não tivéssemos acidentes era um sinal que não estávamos a ser rápidos no desenvolvimento». E no que concerne a acidentes, Di Grassi sublinha «na pista há menos variáveis, o que nos permite focar-nos em algoritmos relacionados com a corrida, como o estilo de condução», adicionando «queremos criar um ambiente onde seja mais fácil evoluir a tecnologia e as pistas são fechadas, o que significa que carro pode bater sem magoar ninguém».

A Roborace conta começar a primeira época de corridas já na primavera do próximo ano, em simultâneo com o arranque do campeonato da Fórmula E (monolugares elétricos). O objetivo será ter alguns Robocars a competir. Esta será a época Alpha que será seguida da época Beta.
Como nos campeonatos tradicionais, a Roborace deverá contar com diferentes equipas. «Todas as equipas terão o mesmo hardware (carros) e só algumas partes do software poderão ser modificadas», referiu Di Grassi, que defende que deste modo os engenheiros poderão concentrar-se em evoluir apenas os algoritmos de condução autónoma até porque «há outros campeonatos para desenvolver o hardware».

Para Lucas Di Grassi o desporto motorizado tradicional será cada vez menos relevante e, por isso mesmo, será necessário criar outros fatores de atração do público. Por exemplo, a Roborace deverá incluir imagens de realidade virtual para que os espetadores possam se “sentar” dentro dos bólides e sistemas de realidade aumentada para criar obstáculos virtuais na pista para obrigar os carros a ter um comportamento mais interessante.

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