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Web Summit

Vai a Inteligência Artificial acabar com os médicos?

Ao contrário do que defendem os arautos da desgraça, os oradores do Web Summit acreditam que a IA vai contribuir para uma medicina mais humana

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Paulo Matos

Paulo Matos

Jornalista

Amada por uns, temida por outros, a Inteligência Artificial (IA) tem sido alvo de má publicidade. Um exemplo é a recente alegação de que será capaz de substituir os médicos. Contudo, o painel da conferência “A IA precisa de ir ao médico” discorda. Hannah Allen, diretora da Babylon Health, defende que serão complementares e fez uma breve demonstração de uma ferramenta de IA que tira notas automaticamente durante uma consulta feita remotamente com recurso a webcams.

Roy Smythe, Chief Medical Officer da Philips, vai ainda mais longe: «A tecnologia vai tornar a medicina mais humana». O executivo acredita que a IA vai ajudar na elaboração de diagnósticos mais fiáveis e contribuir para que os profissionais de saúde passem a ter mais tempo livre disponível para poderem tomar decisões com menos pressão.

Contudo, uma das questões que se levanta é a necessidade de fornecer grandes quantidades de dados para treinar as máquinas, o que coloca a privacidade em causa. Roy Smythe reconhece que esta é, acima de tudo, uma questão filosófica e que é preciso fazer uma curadoria dos dados.

Contudo, o responsável da Philips mostra-se «otimista a longo prazo», pois bastará uma melhoria de cerca de 10% na saúde da população geral para que os benefícios sejam «tremendos» e que as pessoas pressionem as entidades para que não hajam transgressões.

É aí que a regulamentação assume um papel crucial, mas Roy Smythe alerta: «É tudo muito novo e está a acontecer muito rapidamente». E acrescenta: «A regulamentação vai chegar ao mesmo nível da tecnologia, mas há que ter paciência». Assim, para o futuro, o importante é democratizar a tecnologia, para que, como afirma Hannah Allen, «deixemos de tratar doentes para passar a cuidar da saúde».