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Science4You: chegou a hora de conquistar o mundo com o comércio eletrónico

«Os nossos grandes concorrentes não são a Mattel, a Hasbro ou a Lego… temos um produto que resulta de um mix de diversão e educação. Quem recorre à Mattel para comprar uma Barbie pode ser um consumidor um pouco diferente de quem quer comprar um brinquedo educativo que é um mix de educação e diversão», recorda o líder da Science4You

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Miguel Pina Martins, líder e fundador da Science4You, também foi à Web Summit ver como param as modas das startups e do empreendedorismo e explicar como é que a empresa pretende entrar em Bolsa. Anunciada a intenção, a data de entrada em Bolsa depende agora do escrutínio que será feito pelas autoridades nacionais.

Por que é que a Science4You foi para a Bolsa de Lisboa e não a Bolsa de Nova Iorque ou Londres?

Vamos fazer esta entrada em Portugal, na Euronext, pelo facto de ter a nossa base ser portuguesa. Esta é uma operação direcionada ao retalho; mas obviamente, os investidores institucionais também podem participar. Foi aqui que nascemos, acreditamos que temos aqui a nossa base de clientes e acreditamos também que é possível mantermo-nos em Portugal. Apesar de o nosso mercado de capitais (em Portugal) não ter estado muito ativo nos últimos anos, acreditamos podemos dar um pequeno abanão e mostrar que é possível uma pequena e média empresa também recorra ao mercado para se capitalizar.

Em Nova Iorque e Londres há mais capital para investir!

Acreditamos que a marca é bem mais conhecida em Portugal, que nos EUA ou em Londres. É muito importante que percebam o que estão a comprar. Parece-nos que isso é possível com a Science4You em Portugal. Obviamente, não estamos fechados a investidores que venham de fora, mas acreditamos que uma parte muito significativa dos investidores está em Portugal. Qualquer pessoa que tenha conta bancária pode comprar as nossas ações. Eperamos que sejam investidores – e que saibam o que estão a fazer, porque também é importante. E contamos com os nossos clientes, que conhecem a empresa. Essa é que é a grande questão: vamos abrir a possibilidade de investimento na Science4You a qualquer pessoa. Obviamente esperamos que sejam pessoas que gostam dos nossos produtos, mas também que vejam na empresa potencial para valorizar a longo prazo.

Quanto pretendem captar com a venda de capital? Não há o risco de perder o controlo da empresa?

Nunca tive o controlo da empresa – ou melhor, nunca tive mais de 50% da empresa; sempre “vivi” com capital de risco e private equity. Para mim isso não é questão. Vamos dispersar 45% do capital, mas todos os investidores institucionais vão continuar na empresa. E eu, apesar de ser um investidor privado e não institucional, também vou continuar na empresa durante muitos anos, espero. Não ter a maioria do capital não é uma preocupação. A minha preocupação é fazer um bom trabalho e desenvolver a Science4You e poder levar em frente a estratégia definida com os nossos investidores. No dia em que não conseguir alcançar estes objetivos, provavelmente terei de encontrar outra coisa para fazer. É algo que aconteceu já a vários fundadores de empresas; até ao Steve Jobs aconteceu. Não tenho medo disso. A minha preocupação é desenvolver a Sciece4You. Acredito que tenho muito a dar, mas o dia em que não for assim, não é o fim do mundo. A vida é mesmo assim. O nosso objetivo é captar entre cinco e 15 milhões de euros. A maior parte será aplicada no aumento de capital; a maior parte do dinheiro investido será usada para fazer a empresa crescer.

Como é que vai ser feito esse crescimento?

A parte mais significativa desse crescimento vira do comércio eletrónico. Acreditamos que o comércio eletrónico é o futuro das vendas genéricas e ainda mais no mercado dos brinquedos. É muito fácil vender um brinquedo na Internet e queremos estar ainda mais preparados. Um dos focos prioritários deste aumento de capital será para potenciar o comércio eletrónico dentro da Science4You.

Não vão expandir para novos mercados ou instalar novas fábricas?

A expansão também faz parte do comércio eletrónico. É o e-commerce que nos vai permitir crescer. Já estamos praticamente em todos os países. Não vamos dizer que que queremos entrar nos EUA ou na Rússia porque já lá estamos, mas vamos desenvolver naturalmente esses países, porque passa a haver maior potencial para a Science4You nesses países. Queremos modernizar o máximo possível a fábrica de Loures, para que se torne mais eficiente. Obviamente, há uma parte desta tranche (de investimento captado em Bolsa) que será aplicada em robotização, na aceleração de produções. Acreditamos a empresa evoluir muito no que toca à fábrica.

Tendo em conta os gigantes que dominam o segmento dos brinquedos a nível mundial… qualquer pessoa dirá que as probabilidades estão contra a Science4You!

Os nossos grandes concorrentes não são a Mattel, a Hasbro ou a Lego… temos um produto que resulta de um mix de diversão e educação. Quem recorre à Mattel para comprar uma Barbie pode ser um consumidor um pouco diferente de quem quer comprar um brinquedo educativo que é um mix de educação e diversão. (As maiores marcas) Acabam por ser concorrentes, mas não concorrem diretamente. Os nossos concorrentes diretos são mais pequenos e também estão neste nicho da educação com diversão. Obviamente, nada disto será fácil, mas não é impossível. Acreditamos que temos um produto suficientemente único e inovador que permita que as pessoas, quando vão comprar um brinquedo, possam escolher um brinquedo que permita à criança aprender enquanto brinca. É esse o nosso foco. É um tipo de consumidor um pouco diferente (dos que compram as grandes marcas).

Não seria fácil para uma das marcas gigantes fazer algo parecido?

Neste momento, não há nada que leve a acreditar que isso vai acontecer. A Lego está automaticamente excluída… faz apenas produtos de construção. As outras duas marcas (Hasbro e Mattel) são mais focadas em brinquedos que anda na montanha russa. Num dia vendem muito (faz o sinal de um ponto mais elevado) e amanhã acabou (faz o sinal para um ponto mais baixo). Usam as licenças, os desenhos animados que estão na moda… e é assim que essas marcas trabalham. Funciona muito mais com marketing intensivo. Até hoje não temos visto produtos fortemente educativos no portefólio da Mattel e da Hasbro. O que não quer dizer que amanhã não venham a ser nossos concorrentes diretos. A nossa questão é sempre a mesma: continuar a inovar. Hoje, fazemos isto e amanhã teremos de fazer produtos diferentes. Temos de estar sempre a inovar.