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A Inteligência Artificial pode ser perigosa? Depende dos professores

Colin Anderson Productions pty l / Getty Images

Cassie Kozyrkov, Chief Decision Scientist da Google, defende que «a ficção científica é uma distração perigosa» sobre o potencial da IA

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Paulo Matos

Paulo Matos

Jornalista

À medida que a Inteligência Artificial (IA) vai ganhando preponderância no mundo, vários líderes têm alertado para os perigos de um crescimento desenfreado – com Elon Musk na cabeça deste pelotão. Cassie Kozyrkov, Chief Decision Scientist da Google, está no outro lado da barricada. A executiva abordou o tópico na conferência “AI and decision intelligence” no Web Summit e defendeu que a IA é «o último passo na evolução da Humanidade». Ou seja, é, no fundo, uma ferramenta para tornar a vida mais fácil, da mesma forma que o foram itens tão díspares como o martelo ou a calculadora, por exemplo.

Cassie Kozyrkov acredita que o grande potencial da IA está na capacidade de transformar radicalmente a forma como se faz programação. É que a programação tradicional pressupõe que haja uma pessoa a escrever instruções para um computador, enquanto a Inteligência Artificial consegue automatizar esta tarefa através do fornecimento de exemplos para criar “machine learning”, isto é, a capacidade da máquina aprender de forma autónoma situações que não eram passíveis de instrução.

Contudo, Cassie Kozyrkov reconhece que a aprendizagem através da assimilação de exemplos e consequentes extrapolações acarreta o risco de perpetuar estereótipos, mas questiona se não é o que acontece quando, por exemplo, se obrigam alunos a ler determinados obras literárias e a serem influenciados pelas convicções dos escritores. Portanto, para a responsável da Google, o problema ético que surge em torno da IA é o mesmo que acontece na sociedade como um todo: a qualidade do ensino e o nosso papel enquanto professores.

É por isso que a executiva acredita que bases de dados diversificadas são um requisito obrigatório para se conseguir solucionar as dúvidas legítimas que se levantam sobre a ética da IA. A isto junta-se a necessidade de perceber que, no seu âmago, a Inteligência Artificial é construída por humanos, pelo que não se pode esperar perfeição e a subjetividade está inerente. Resumindo: há que que ir preparando soluções alternativas para os inevitáveis problemas que vão surgir .

Para o final da sua intervenção, Cassie Kozyrkov guardou duas mensagens chave: todos temos de refletir no nosso papel enquanto professores nesta nova era tecnológica; e «a ficção científica é uma distração perigosa» para mostrar que a IA tem sido apresentada de forma errada e que tem um potencial enorme para melhorar a vida das pessoas.

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