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«A maioria dos assistentes digitais são sexistas»

Saniye Corat, diretora para a igualdade de género da UNESCO, considera que ainda há muito trabalho a fazer no mundo da tecnologia para acabar com a discriminação de género

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«Siri, és sexista?». Esta foi a primeira questão que a jornalista espanhola Esther Paniagua fez no debate sobre se os assistentes digitais fazem discriminação por género - e fê-la diretamente à assistente criada pela Apple. «Sou pela igualdade e pelo respeito», respondeu a Siri.

Reparou? "A" Siri. Muitos dos assistentes digitais que existem atualmente estão associados a personalidades femininas, mas esse nem sequer é o maior problema, segundo Saniye Corat, responsável pela área de igualdade de género da UNESCO. «Os programas codificados dão respostas que são sexistas», disse a porta-voz da agência da Organização das Nações Unidas.

«A maioria dos assistentes digitais são sexistas», considerou a especialista, para acrescentar logo de seguida: «A tecnologia é produzida por nós e a tecnologia reflete os nossos valores e tendências. No caso da indústria tecnológica, a partiicpação das mulheres ainda é muito baixa», disse Saniye Corat. Os valores são ilustrativos: de todos os trabalhadores do sector tecnológico a nível global, 17% são mulheres. Quando a análise é feita apenas para os trabalhadores da área da inteligência artificial, a representação das mulheres fica abaixo dos 10%.

«Estes programas são um reflexo de quem está a fazer o coding e a agregação de dados, as empresas onde estão a ser desenvolvidas», disse a representante da UNESCO, naquela que foi uma "indireta" à falta de diversidade nas grandes tecnológicas de Silicon Valley.

«Quando queres que uma máquina ligue o termoestato, a música, a voz [do assistente] é feminina. Mas quando é sobre instruções, as vozes são masculinas», exemplificou Saniye Corat sobre a forma como diferentes sistemas de inteligência artificial estão a ser construídos. E isto representa um problema acrescido junto dos mais novos, que acabam por ser influenciados a associar géneros a determinadas funções.

«Quanto mais estás exposto a estas interações, mais influencia o teu comportamento», considerou ainda a responsável pela igualidade de género da UNESCO. « É uma questão preocupante e precisamos de reagir para encontrar forma de responder a estas questões. A tecnologia ainda está a evoluir, ainda podemos mudar as preferências e as escolhas dos utilizadores.»

Apesar de já existirem assistentes de voz que permitem escolher o género da voz e de até haver países nos quais estes assistentes vêm com vozes masculinas de origem - como é o caso de França e Reino Unido -, para Saniye Corat o caminho será sempre outro.

«A inteligência artificial é isso, artificial, a voz pode ser artificial e podem não ter um género diferenciável.»

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