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Facebook: «Não vamos criar uma backdoor. Não podes dar acesso aos bons sem dar aos maus»

Foto: David Fitzgerald / Web Summit

Diretor de privacidade e segurança da plataforma Facebook Messenger diz que vai «demorar anos» até que todas as comunicações feitas através do serviço sejam totalmente encriptadas

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O Facebook está sob pressão por parte de países como o Reino Unido, EUA e Austrália para criar uma porta de acesso (backdoor) que permita às autoridades acederem às conversações dos utilizadores. Jay Sullivan, diretor de privacidade e segurança do serviço Facebook Messenger, veio a Lisboa deixar uma mensagem clara. «Estamos totalmente comprometidos com a encriptação ponta-a-ponta e estamos comprometidos em não ter uma backdoor, pois enfraquece todo o sistema», disse numa sessão com jornalistas de vários países e na qual a Exame Informática participou.

«Não podes dar acesso aos bons sem dar acesso aos maus», já tinha dito o executivo durante a apresentação pública que fez na Web Summit.

O Facebook Messenger já permite que os utilizadores troquem mensagens de texto de forma encriptada, através da funcionalidade Conversas Secretas, mas esta não é a opção pré-definida como já acontece, por exemplo, no WhatsApp, outra plataforma de mensagens instantâneas detida pelo Facebook. É o próprio Jay Sullivan quem admite que no Messenger a opção para ter conversas encriptadas «é difícil de encontrar».

«Temos sido abertos e públicos sobre o nosso plano. Não tentamos empurrar isso como a opção pré-definida, queremos conversar com as partes interessadas para falar das contrapartidas», defendeu. As partes interessadas são os serviços de inteligência, forças policiais e organizações de proteção de menores.

«O Facebook coopera bastante com as autoridades. Por causa dessa parceria, as forças das autoridades querem continuar a ter acesso às mensagens», explicou Jay Sullivan, que garante no entanto que estes pedidos só são aceites após serem validados em tribunal. No dia em que as mensagens do Messenger forem encriptadas, a informação que o Facebook dará às autoridades não terá valor.

«Se criarmos uma backdoor, vai ser abusada e os maus vão abusar disso», reiterou o executivo da gigante americana. «As pessoas já esperam privacidade dos seus serviços de mensagens. Quando falo com a minha mãe ou com os meus filhos, ninguém - governo, empresas, fornecedores de internet - deve saber o que estou a dizer. Vai ser aquilo no qual vamos estar focados».

Apesar deste compromisso, Jay Sullivan diz que vai «demorar anos» até que todas as funcionalidades de comunicação do Messenger - conversas em grupo, chamadas de voz e videoconferência - sejam encriptadas. «Estamos totalmente comprometidos com a encriptação», garantiu o porta-voz da empresa.

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